Intolerância religiosa é crime

Intolerância religiosa é crime

No próximo domingo, 21 de janeiro, celebraremos o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data foi instaurada em nosso país em 2007, após a morte de Gildásia dos Santos e Santos, conhecida como Mãe Gilda, uma Iyalorixá baiana que teve sua casa e terreiro invadidos por um grupo de outra religião. Ela e o marido foram caluniados e agredidos fisicamente e verbalmente. Após os acontecimentos, ela teve um infarto fulminante.

O Brasil tem uma média de três denúncias de intolerância religiosa por dia. A maior parte desses crimes têm como vítimas pessoas que praticam religiões de matrizes africanas. Seis a cada dez vítimas são mulheres. A partir desses dados é possível perceber que estamos longe de um cenário ideal de respeito entre as religiões, tornando necessárias, além de ações de conscientização, políticas públicas que ajudem a eliminar a intolerância.

O que é crime?

Segundo o Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2.848/1940), em seu artigo 208, é crime “escarnecer publicamente por motivo de crença ou função religiosa, impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso, vilipendiar publicamente ato objeto de culto religioso”.

Diminuir alguém pela religião que ela pratica, independentemente de qual seja, quebrar ou depredar centros religiosos, agredir fisicamente ou verbalmente pessoas por não serem da sua religião são práticas criminosas, que devem ser denunciadas. Caso você sofra ou presencie alguma situação de intolerância religiosa, faça a sua denúncia pelo Disque 100, uma central da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), que faz parte do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

O estado da Bahia está entre os cinco com mais denúncias no país. Mais do que lembrar da data, precisamos reforçar o nosso compromisso e responsabilidade no agir e identificar situações violentas, que possam estar ofendendo o outro em sua liberdade de culto.


Publicado em: 19/01/2024