O BAMIN em Ação desta semana chega em ritmo de música baiana. O nosso segundo texto da série especial sobre o Carnaval é uma homenagem ao Axé Music. O estilo musical completa, em 2025, quatro décadas de história, arrastando multidões em todas as festas do maior encontro popular do planeta.
O Axé Music é o pop da Bahia, com estrelas e canções que expressam a identidade baiana, combinando a percussão dos terreiros de Candomblé a outros gêneros musicais, como frevo, ijexá, reggae, samba, salsa, lambada e rock. Um ritmo complexo na formação, mas de fácil entendimento para quem o sente e dança. O marco inicial do axé foi com o LP Magia, de Luiz Caldas. Lançado em 1985, o álbum elevou a música popular do Carnaval baiano a um patamar antes não registrado no país, com o hit “Fricote” executado em todas as rádios e canais de televisão nacionais.
Luiz Caldas abria, assim, o caminho para o sucesso de uma turma que fervia no mesmo caldeirão cultural dos anos 80. Na época, o ritmo estava na boca e nos quadris dos baianos, mas não ultrapassava as barreiras fonográficas do estado. Nem mesmo se chamava assim: a alcunha “Axé Music” surgiria em 1987, de forma pejorativa, nas críticas do jornalista Hagamenon Brito aos artistas do estilo.
Nomes como Sarajane, Laurinha Arantes – ex-cantora do Cheiro de Amor e primeira mulher a puxar um trio elétrico –, Virgílio, Jota Morbeck, Gerônimo, Lui Muritiba, Zé Paulo, Marcionílio e a própria Daniela Mercury eram conhecidos apenas pelos foliões locais, em álbuns gravados na própria capital baiana, em sua maioria no Estúdio WR, do então produtor musical Wesley Rangel. Já se ouvia Chiclete com Banana, mas na voz de seu primeiro vocalista, o Missinho.
Também contribuiu para a cena musical do período um movimento de valorização da cultura afro-baiana, que resultou em clássicos como “Faraó”, do compositor Luciano Gomes, gravada por Margareth Menezes, Djalma Oliveira e Banda Reflexus. O grito de resistência e de combate ao racismo por meio da música era reforçado pelos blocos afro, como o Ilê Aiyê, o Muzenza, o Afoxé Badauê, o Araketu e o Olodum, de Neguinho do Samba – inventor do samba-reggae.
Outros artistas despontaram no cenário, renovando o gênero musical geração a geração: Banda Beijo, com Netinho; Asa de Águia, com Durval Lélys; Bell Marques à frente do Chiclete com Banana; Ricardo Chaves; Márcia Freire no Cheiro de Amor; e Bamdamel. Em 1992, Daniela Mercury estourou internacionalmente com o Canto da Cidade, inaugurando uma nova fase do Axé. No mesmo ano, a percussão inovadora e poderosa da Timbalada de Carlinhos Brown reforçou as raízes africanas do estilo. Mais à frente na linha do tempo, a voz grave e imponente da talentosa Ivete Sangalo daria fama nacional à Banda Eva, o mesmo grupo que depois revelaria o cantor Saulo para todo o país. Todos são músicos consagrados atualmente.
Ela cresceu com o Axé
Nascida em 1985, na cidade de Juazeiro, a gerente de Relações Institucionais da BAMIN, Larissa Souza, pode dizer que teve como trilha sonora de sua vida o Axé Music. “Sempre amei o estilo. Lembro de ouvir Luiz Caldas quando era pequena”, conta. De tão fã do gênero musical, pediu aos pais, como comemoração dos 10 anos de idade, uma festa de aniversário com show da banda de axé Mirage, à época famosa na região. “Foi muito bom, me diverti, dancei e cantei”, conta.
O amor pelo Axé não é para menos. Filha de pais apaixonados pelo Carnaval, cresceu frequentando todas as edições da folia em sua terra natal. “Tinha as festas de clube, as fanfarras e charangas, mas também tinha muito trio elétrico, com as melhores bandas. A gente não perdia uma”, recorda Larissa. Ela até hoje é carnavalesca: curte, sempre que pode, a pipoca, blocos e camarotes da festa tanto em Juazeiro, quanto em Salvador.
“Eu gosto de Carnaval, porque é um momento de liberdade, alegria e expressão. É quando a música, as cores e as pessoas se misturam em uma energia única, quase mágica. Para mim, a festa representa a celebração da vida, da cultura e da criatividade, e o Carnaval da Bahia simboliza a força do povo baiano e a beleza da diversidade”, define Larissa.
