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Especial Mulheres que transformam

 

Ao longo do mês de março, o BAMIN em Ação apresenta um especial dedicado a mulheres que transformam o mundo ao seu redor. São trajetórias de quem rompe barreiras, enxerga possibilidades onde outros veem limites e ocupa espaços com competência e coragem. Mulheres que constroem, lideram e inspiram, reafirmando que seu lugar é aquele que escolhem ocupar, com trabalho, talento e determinação. Traremos também, nas próximas semanas, mulheres que, com o apoio da BAMIN, transformam suas realidades e das pessoas ao redor.

Para abrir a série, apresentamos duas baianas que se destacam em suas áreas de atuação. Myriam Fraga, escritora, jornalista e gestora cultural, cuja trajetória contribui para o fortalecimento da cena literária e artística da Bahia; e Jaqueline Goes, pesquisadora com reconhecimento internacional, que coordenou o sequenciamento do genoma do coronavírus (SARS-CoV-2) na América Latina em 2020, apenas 48 horas após o primeiro caso registrado no Brasil.

Convidamos os leitores a conhecer essas histórias e descobrir como a presença feminina transforma ideias em resultados concretos e redefine padrões em diferentes áreas.

Clique no link e conheça a história de Jaqueline Góes e Myriam Fraga: https://www.bamin.com.br/noticias/

 

Jaqueline Góes: A mente por trás da explicação da pandemia

A biomédica e pesquisadora baiana Jaqueline Goes de Jesus ganhou reconhecimento internacional em 2020 ao coordenar a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2, vírus da COVID-19, apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil. O feito colocou a ciência brasileira em destaque mundial e demonstrou a capacidade de resposta rápida dos pesquisadores do país diante de uma emergência sanitária sem precedentes. Por trás dessa conquista está a trajetória de uma cientista que começou a construir seu caminho muito antes da pandemia, enfrentando desafios e redefinindo expectativas sobre quem pode ocupar espaços de liderança na ciência.

Nascida em Salvador, em 1989, Jaqueline iniciou sua formação em Biomedicina na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Depois seguiu para o mestrado no Instituto Gonçalo Moniz – Fiocruz Bahia e concluiu o doutorado em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia. Hoje vive em São Paulo, onde atua como professora e pesquisadora no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Curiosamente, o sonho de ser cientista não esteve presente desde a infância. “Durante muito tempo eu não me enxergava ocupando esse lugar”, conta a pesquisadora, em entrevista ao BAMIN em Ação. “Em filmes, séries e livros, o perfil de cientista que aparecia quase sempre era masculino, branco e mais velho”, reflete.

Foi ainda na universidade que a pesquisa entrou definitivamente em sua vida, durante um projeto sobre HIV desenvolvido no Instituto Gonçalo Moniz. A experiência revelou a potência da investigação científica como ferramenta para melhorar a saúde pública e abriu caminho para uma carreira dedicada à vigilância genômica de vírus emergentes. Ao longo desse percurso, Jaqueline também enfrentou barreiras estruturais que ainda marcam o ambiente acadêmico. “Para mulheres negras na ciência, essas barreiras muitas vezes estão associadas ao racismo estrutural, à exclusão de determinados espaços e a uma sensação constante de não pertencimento”, relata.

Segundo a pesquisadora, o preconceito nem sempre aparece de forma explícita. “Na ciência, o racismo raramente se manifesta de forma direta. Muitas vezes ele é velado”, afirma. “Viver microagressões cotidianas ao longo de anos tem um impacto real. Em alguns momentos cheguei a questionar se eu realmente tinha o direito de pertencer àquele espaço”, revela. Com o tempo, ela transformou essa experiência em motivação para seguir adiante e contribuir para mudanças dentro das instituições científicas.

Hoje, além de continuar investigando vírus como dengue, zika e chikungunya em projetos de vigilância genômica internacional, Jaqueline também se tornou referência e inspiração para novas gerações de pesquisadoras. Para ela, a presença feminina na ciência tem um impacto que vai além dos laboratórios. “Representatividade importa. Ver alguém que se parece com você em posições de liderança pode ser um estímulo importante para seguir na carreira científica”, conclui.

Curiosidades sobre Jaqueline Goes

  • Participou do sequenciamento do vírus Zika – Antes da pandemia de COVID-19, Jaqueline integrou a equipe internacional que sequenciou o genoma do vírus da Zika durante a epidemia que afetou o Brasil e outros países das Américas.
  • Já percorreu o Nordeste fazendo ciência de campo – Ela participou do projeto ZIBRA (Zika in Brazil Real-Time Analysis), que utilizava um laboratório móvel para sequenciar o vírus em diferentes cidades, permitindo analisar rapidamente a circulação da doença.
  • Recebeu o Prêmio CAPES de Tese – Em 2020, foi vencedora do prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior na área de Medicina II, com a pesquisa sobre vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes.
  • Virou personagem da Turma da Mônica – Em homenagem ao seu trabalho durante a pandemia, foi representada como a personagem Milena em uma ilustração do projeto Donas da Rua da Mauricio de Sousa Produções, que celebra mulheres que se destacam em diferentes áreas da sociedade.

*Fotos: Câmara dos Deputados/Raissa Mesquita; Divulgação Mattel/ Via BBC; Foto de destaque – Redes Sociais Jaqueline Góes

Você sabe quem foi Myriam Fraga?

 

Homenageada da edição 2026 da Festa Literária Internacional do Pelourinho, a poeta e jornalista soteropolitana Myriam Fraga é celebrada dez anos após sua morte como uma das mulheres que moldaram a cena cultural contemporânea. A escolha é mais que justa. O evento nasceu de uma semente por ela plantada, após retornar da Festa Literária Internacional de Paraty com o sonho de ocupar o Centro Histórico com livros, autores e seus leitores. Não chegou a ver o projeto concretizado, mas deixou para Salvador esse presente. Se hoje a Flipelô existe, a Bahia deve muito a Myriam Fraga.

Nascida em 1937, Myriam rompeu com o próprio destino. Criada em uma geração que projetava às mulheres o papel exclusivo de esposa e mãe, construiu uma trajetória intelectual sólida sem deixar a cidade natal. Publicou 31 livros, sendo 16 de poesia, sete de prosa e oito infantojuvenis, quatro deles lançados após sua morte, consolidando-se como uma das maiores vozes da literatura brasileira.

Em obras como Femina (1996) e Rainha Vashti (2015), seu último livro publicado em vida, explorou o universo feminino com densidade, lirismo e coragem. “Dizia que nunca precisou fazer terapia, porque transformava tudo em poesia”, lembra a filha, Ângela Fraga, em entrevista ao BAMIN em Ação.

O amor pelas palavras começou cedo. Filha de um médico apaixonado por livros, cresceu entre estantes e batalhas de declamação de poemas com o pai, disputando quem decorava mais versos. Antes mesmo de saber ler, já dizia que queria aprender para não depender de ninguém e sonhava ver o próprio nome na capa de um livro.

A amizade da família com Jorge Amado e Zélia Gattai aproximou, ainda mais, a jovem escritora do ambiente literário baiano. Após ler uma crítica positiva sobre Marinhas, obra de estreia da autora publicada em 1964, Jorge Amado pediu os originais do livro de poesias e os enviou a alguns contatos, entre os quais Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.

O mesmo amigo que confiaria à escritora seu acervo pessoal de fotos, cartas e originais para a criação da Fundação Casa de Jorge Amado, em 1986, por Myriam gerida até os últimos dias de vida.

“Minha mãe assumiu a Fundação com o mesmo rigor que se dedicava à própria escrita. Era extremamente organizada, dedicada ao trabalho e a tudo que se propunha a realizar. Repetia sempre a máxima de que ‘tudo que deve ser feito, há que ser bem feito’”, recorda Ângela Fraga, atualmente presidente da instituição.

Curiosidades sobre Myriam Fraga

  • Marinhas foi lançado pela Macunaíma, selo criado em 1957 por Calasans Neto, Fernando da Rocha Peres, Glauber Rocha e Paulo Gil Soares para publicar jovens autores baianos em um cenário editorial ainda escasso. De perfil artesanal, com tiragens limitadas e forte cuidado gráfico, a editora marcou época e inseriu Myriam em uma rede intelectual decisiva para sua consolidação literária.
  • Em 2025, foi homenageada na primeira Feira Literária de Autoras Baianas, realizada em Salvador e idealizada pela escritora Clarissa Mäcedo, para quem “a magnitude e a regularidade de seu trabalho, a qualidade estética constante e o alcance nacional de sua obra, além de sua contribuição à cultura da Bahia, não apenas como autora, mas como profissional que ocupou espaços pouco acessíveis às mulheres, tornam Myriam uma referência incontornável”.
  • Entre 1984 e 2004, Myriam assinou a coluna cultural Linha D’Água no jornal A Tarde, tornando-se uma das vozes mais respeitadas da crítica literária e cultural baiana.
  • Seu legado ultrapassou os livros: Myriam Fraga é hoje nome de uma praça no bairro do Itaigara, em Salvador.

*Fotos: Arquivo pessoal/Ângela Fraga

PEA nas Escolas leva conscientização sobre álcool e drogas a 210 estudantes na área de influência da FIOL 1

Iniciativa da BAMIN promoveu atividades interativas em quatro escolas públicas para estimular escolhas conscientes entre alunos do 8º e 9º ano

Na última semana de fevereiro, o Projeto PEA nas Escolas, da BAMIN, levou a conscientização sobre os perigos do álcool e das drogas a 210 estudantes do 8º e 9º ano da rede pública da área de influência do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL 1). A iniciativa promoveu informação, diálogo e reflexão em um momento crucial da formação pessoal e escolar dos adolescentes.

As atividades foram realizadas em quatro escolas públicas da região. Na segunda-feira (23), a ação ocorreu na Escola Luiz Braga, no distrito de Porto Alegre, em Maracás, com 51 estudantes. Na terça-feira (24), o projeto esteve no Centro Educacional Senador João Calmon, em Jequié, com 25 alunos. Na quarta-feira (25), foi a vez da Escola Municipal Nossa Senhora da Luz, também em Jequié, com 78 participantes, e da Escola Estadual do Iguape, em Ilhéus, com o engajamento de 56 adolescentes. A iniciativa integra o Programa de Educação Ambiental (PEA) da BAMIN e é executada em parceria com o CIEDS.

A escolha da temática foi baseada em dados do Diagnóstico Social Participativo (DSAP) e do Diagnóstico Rápido Participativo (DRP), que identificaram o uso de álcool e outras drogas como uma das problemáticas mais recorrentes nas comunidades ao longo da FIOL 1. Durante os encontros, os analistas apresentaram informações sobre os impactos sociais e de saúde do consumo dessas substâncias, com foco especial em jovens em fase de desenvolvimento e aprendizagem.

Para estimular a participação, o projeto utilizou metodologias interativas. Entre as atividades, destaque para “Os Dois Caminhos”, na qual os estudantes exploraram trajetórias distintas: uma marcada pelos riscos da dependência química, como o enfraquecimento dos vínculos familiares e o abandono escolar, e outra pautada pelos estudos e hábitos saudáveis. Também foram promovidos um quiz no formato “verdadeiro ou falso” e uma atividade de produção criativa, em que os grupos elaboraram frases, poesias e slogans de conscientização.

O coordenador de Relacionamento com as Comunidades da BAMIN, Ramon Chalhoub, ressaltou a importância do projeto: “Levar informação de forma dialogada e acessível aos estudantes é fundamental para fortalecer a prevenção e estimular escolhas conscientes. O PEA nas Escolas cumpre um papel importante ao contribuir para a formação de jovens mais preparados para enfrentar desafios sociais e construir um futuro com mais oportunidades”, concluiu o gestor.

 

 

Com apoio da BAMIN, Coopercicli celebra 17 anos com avanços na reciclagem e pioneirismo na compostagem no interior do Nordeste

 

Cooperativa já coletou mais de 3,5 milhões de quilos de recicláveis e posicionou

Caetité como referência em gestão sustentável de resíduos

A Coopercicli, cooperativa apoiada pelo Projeto Circuito do Lixo, desenvolvido pela BAMIN na região da Mina Pedra de Ferro, celebrou 17 anos de atuação no último dia 19, com uma programação especial na Praça da Catedral, em Caetité. A comemoração reuniu cooperados e comunidade, com distribuição de mudas doadas pelo Centro de Conservação Pedra de Ferro (CCPdF) e ações de educação ambiental para o público que circulava pelo local.

A data simbólica celebra a trajetória da entidade que colocou o município como referência regional em gestão sustentável de resíduos. E não é para menos: desde a sua criação, a Coopercicli já coletou mais de 3,5 milhões de quilos de materiais recicláveis. Somente em 2025, foram 340 toneladas de resíduos coletados e comercializados, com toda a renda revertida para os 35 catadores e catadoras associados, que encontram na cooperativa sua principal fonte de sustento.

“Sou muito feliz na cooperativa e profundamente grato por todas as oportunidades que ela me proporcionou”, declarou Leonardo da Silva Santos, 33 anos. Antes de ingressar na Coopercicli, em 2019, ele trabalhava como lavrador em Lagoa Real, assim como os pais. Ao chegar em Caetité, descobriu na associação coletiva uma oportunidade de emprego e renda por indicação de amigos. “Foi aqui que encontrei a chance de crescer, garantir o sustento da minha família e oferecer mais dignidade à minha filha de quatro anos. A Coopercicli transformou a minha vida”, afirmou.

Pioneirismo no Nordeste

Além da triagem e comercialização de recicláveis secos, a cooperativa atua, desde 2019, na compostagem de resíduos orgânicos, transformando restos de alimentos em adubo comercializado na feira livre e para agricultores locais. A iniciativa tornou Caetité a primeira cidade do interior do Nordeste a implementar a técnica de forma estruturada. Atualmente, a Coopercicli está entre as cinco cooperativas da Bahia que realizam compostagem.

Outro diferencial é a horta orgânica de 200m² mantida na sede da entidade, onde são cultivados pimentão, pimenta, alface, coentro, beterraba e couve. A produção é dividida entre todos os cooperados, que também são responsáveis pelo plantio e manejo do espaço, fortalecendo a segurança alimentar das famílias.

A importância do Circuito do Lixo

Grande parte dessas conquistas está ligada ao apoio do Projeto Circuito do Lixo, implementado pela BAMIN em parceria com a Terceiro Setor Consultoria e Projetos Socioambientais, que oferece assessoria técnica e suporte estrutural à cooperativa. O acompanhamento foi decisivo para que a Coopercicli acessasse editais federais e estaduais que, somados, ultrapassam R$ 2 milhões em investimentos destinados à aquisição de caminhão, sede própria, equipamentos e EPIs.

Recentemente, a cooperativa foi contemplada em edital do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, garantindo investimento de cerca de R$ 50 mil na compra de uma prensa hidráulica, carrinho de carga e big bags para armazenamento. Os novos equipamentos ampliaram em mais de 30% a agilidade do processo produtivo, além de melhorar as condições de trabalho e potencializar a geração de renda.

“O Projeto Circuito do Lixo ajudou muito a cooperativa com equipamentos e pessoal para orientar a gente como trabalhar”, relatou a presidente da Coopercicli, Edilene Luiza Alves. “Chega

mos muito longe pela ajuda que a BAMIN deu e está dando. Nosso sentimento é só de gratidão”, agradeceu.

O sócio-fundador da entidade, Paulo Trentin, reforça a importância da parceria: “O Projeto Circuito do Lixo apareceu na hora em que mais precisávamos. Espero que esse projeto dure por muitos anos”.

 A união faz a força

Em 2026, a cooperativa deu mais um passo estratégico ao encabeçar a criação da Rede Recicla Sertão, iniciativa que reúne outras quatro organizações da região para comercialização conjunta de materiais recicláveis, fortalecendo o poder de negociação e ampliando a renda dos catadores.

Além da Coopercicli, integram a rede as cooperativas Catando a Vida, de Caculé; Recicla Ibiassucê; a Cooperativa de Tanque Novo; e a Associação de Catadores de Licínio de Almeida (ASCALIN), que também conta com apoio do Projeto Circuito do Lixo.

“A parceria com a BAMIN se tornou essencial para a geração de trabalho e renda para os catadores, como também para a população, que passou a contar com um serviço de coleta seletiva qualificado e para o meio ambiente, ao favorecer a reciclagem e o descarte correto de resíduos”, destacou George Euzébio Silva, coordenador do Projeto Circuito do Lixo.

Para a coordenadora de Relacionamento com as Comunidades da BAMIN, Ana Paula Dias, a Coopercicli comemora não apenas o tempo de existência, mas a consolidação de um modelo que alia sustentabilidade, inclusão produtiva e desenvolvimento local. “Estamos felizes por fazer parte dessa história”, concluiu a gestora.

 

 

 

 

 

Monitoramento pesqueiro da BAMIN fortalece gestão sustentável e diálogo com comunidades costeiras

Desde novembro de 2013, a BAMIN realiza o monitoramento da atividade pesqueira nas áreas de influência do empreendimento Porto Sul, consolidando uma base robusta de dados sobre a dinâmica da pesca artesanal no litoral sul da Bahia. A iniciativa integra o Programa de Monitoramento da Atividade Pesqueira e tem como objetivo acompanhar, de forma contínua, as atividades de pescadores e marisqueiras em comunidades costeiras e estuarinas, além de identificar possíveis mudanças ao longo das fases de pré-implantação, implantação e operação do projeto.

Ao longo de mais de uma década, o programa vem construindo um panorama detalhado da atividade pesqueira, incluindo o número de profissionais e embarcações por comunidade.

O monitoramento é realizado diariamente em 17 pontos de desembarque distribuídos nos municípios de Ilhéus, Uruçuca e Itacaré, abrangendo localidades como Pontal, Terminal Pesqueiro, Prainha, São Miguel, Ponta da Tulha, Sambaituba, Vila Badu e Concha/Coroinha, entre outras. Nessas áreas, monitores comunitários atuam diretamente na coleta de informações, fortalecendo o vínculo com as comunidades e garantindo maior precisão nos dados obtidos.

Para o coordenador de Relacionamento com Comunidades da BAMIN, Ramon Chalhoub, o programa vai além da coleta de dados. “O monitoramento pesqueiro é uma ferramenta essencial para compreendermos, com profundidade e responsabilidade, a realidade das comunidades onde atuamos. Ao longo dos anos, construímos uma base sólida de informações que não apenas orienta nossas decisões, mas também fortalece a transparência e o diálogo com pescadores e marisqueiras”, destaca. Para ele, esse trabalho conjunto é fundamental para promover o desenvolvimento sustentável da atividade pesqueira e a preservação dos recursos naturais.

Na prática, o programa é estruturado em quatro linhas de ação: Perfil Social, Controle de Desembarque, Tráfego de Embarcações e Banco de Dados. A partir dessas frentes, são levantadas informações detalhadas sobre os pescadores, como dados pessoais, documentação, composição familiar e características socioeconômicas, além de aspectos produtivos, como tipos de pescado, artes de pesca, esforço empregado, produção, valor comercial e dinâmica da cadeia pesqueira. O controle de desembarque permite identificar padrões de captura e calcular indicadores como a Captura por Unidade de Esforço (CPUE), enquanto o banco de dados integra todas as variáveis coletadas, possibilitando análises mais aprofundadas.

A coleta das informações é feita de forma direta, principalmente no momento do desembarque das embarcações, quando os monitores abordam os pescadores e registram os dados fornecidos, inicialmente, pelos mestres das embarcações e, quando necessário, complementados pelos tripulantes. Esses dados são organizados em fichas específicas e posteriormente inseridos no software Rachycentron, garantindo sistematização, rastreabilidade e confiabilidade ao processo. O acompanhamento ocorre todos os dias da semana, permitindo uma leitura contínua e atualizada da atividade pesqueira.

A participação dos próprios pescadores e marisqueiras é um dos pilares do programa, sendo fundamental para a qualidade das informações e para o fortalecimento da relação com as comunidades. Além da coleta de dados, ocorrem também reuniões periódicas de integração, nas quais são apresentados os resultados consolidados dos monitoramentos. Esses encontros funcionam como espaços de troca, onde os profissionais da pesca podem validar informações, compartilhar percepções e contribuir para o aprimoramento das análises.

Os dados gerados pelo monitoramento têm papel estratégico na promoção da sustentabilidade da atividade pesqueira. A partir deles, é possível identificar tendências, sazonalidades e padrões de esforço e produção, subsidiando decisões que equilibram a conservação dos recursos naturais com a manutenção da atividade econômica. Além disso, as informações apoiam órgãos públicos, como o Ministério da Pesca, e instituições acadêmicas, contribuindo para a formulação de políticas públicas e para o avanço do conhecimento científico sobre o setor.

A atuação contínua do programa também se reflete no diálogo permanente com as comunidades, por meio de visitas às colônias e associações de pesca, entrevistas e ações de sensibilização que reforçam a importância do monitoramento e da participação coletiva.

 

BAMIN realiza Alô Comunidade em Carobeira e Iguape e reforça diálogo no entorno do Porto Sul

Escritório itinerante fortalece transparência, escuta ativa e relacionamento direto com moradores desde 2021

A BAMIN promove novas edições do Alô Comunidade nas localidades de Carobeira e Iguape, na região do Porto Sul. A iniciativa integra o Programa de Comunicação e Interação Social e tem como propósito fortalecer os laços com as comunidades do entorno, levando informação clara, diálogo aberto e atendimento direto aos moradores.

Criado em 2021, o Alô Comunidade surgiu da necessidade de ampliar o acesso às informações sobre o empreendimento, especialmente diante das dificuldades de transporte enfrentadas por parte da população para se deslocar até o escritório fixo da empresa. A partir dessa demanda, a equipe estruturou um espaço móvel com tenda, mesas, cadeiras e materiais informativos das campanhas em andamento, instalado em pontos estratégicos de grande circulação. Durante um turno completo, os profissionais permanecem disponíveis para esclarecer dúvidas, apresentar atualizações sobre as obras e os programas socioambientais e ouvir as demandas da comunidade.

A escolha das comunidades que recebem a ação segue o planejamento estratégico do Programa de Comunicação e Interação Social, que prevê, em média, duas edições por ano em cada localidade. A definição dos turnos e pontos de atendimento considera a dinâmica e a rotina de cada território, priorizando horários e espaços que favoreçam a participação dos moradores.

Entre os principais objetivos da iniciativa estão ampliar o acesso à informação com transparência e clareza, promover a escuta ativa, mitigar ruídos de comunicação, fortalecer o relacionamento com as comunidades e valorizar a participação dos moradores como protagonistas no processo de desenvolvimento sustentável.

De acordo com Giselle da Hora, gestora da equipe de agentes de comunicação do CIEDs, parceiro da BAMIN no Programa de Comunicação e Interação Social na região do empreendimento Porto Sul, o escritório itinerante vai além da prestação de informações. “O Alô Comunidade é uma ferramenta fundamental para fortalecer a confiança e o relacionamento com as comunidades. Mais do que informar, nosso compromisso é ouvir, acolher e transformar as demandas em encaminhamentos concretos. É assim que reafirmamos diariamente a transparência e o respeito que orientam a atuação da BAMIN nos territórios de influência”, destaca.

Durante o Alô Comunidade, a população encontra orientações sobre vagas de trabalho, atualizações sobre as etapas do empreendimento, esclarecimentos sobre programas socioambientais em execução e previstos, além de um canal aberto para compartilhar percepções, sugestões e questionamentos.

As escutas realizadas ao longo das edições já resultaram em melhorias concretas. Entre elas, a disponibilização do Alô BAMIN (canal de atendimento da empresa) via WhatsApp, implementado após moradores sinalizarem a ausência de rede móvel de telefonia em algumas áreas, mas com acesso à internet. Também foram promovidas oficinas orientativas, como a de primeiros socorros em casos de acidentes domésticos, e intensificadas campanhas sobre temas sensíveis e de grande relevância social, como prevenção ao suicídio, combate à violência contra a mulher e prevenção à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Para José Carlos, morador da comunidade Carobeira e membro da associação de moradores, a presença da equipe nos territórios fortalece o acesso à informação. “Agradeço à BAMIN por estar trazendo, através do escritório itinerante, informações a respeito de questões da sociedade que estamos vivenciando, como assuntos importantes para a comunidade ligados às crianças e adolescentes, como exploração sexual”, afirma.

Já o profissional da educação Antônio José ressalta a praticidade da iniciativa. “Nós precisamos tirar dúvidas e às vezes fica difícil nos deslocar até o escritório da BAMIN. Com essa ação itinerante, fica mais fácil para nos atualizarmos sobre as informações”, pontua.

Com o Alô Comunidade, a BAMIN reforça sua atuação contínua e próxima às comunidades do entorno do Porto Sul, assegurando acesso a informações transparentes e atualizadas, promovendo a escuta ativa e consolidando uma relação baseada no diálogo, no respeito e no desenvolvimento conjunto.

Oficina de manejo do solo fortalece produção agrícola de meeiros reassentados em Uruçuca

 

Iniciativa do Subprograma de Reassentamento Rural do Porto Sul capacita famílias para uso sustentável do solo, aumento da produtividade e geração de renda

A BAMIN, por meio do Subprograma de Reassentamento Rural do Porto Sul, realizou uma Oficina de Manejo do Solo com os meeiros na zona rural de Uruçuca (BA), na Fazenda Luz Brasileira, área anfitriã dos beneficiários do reassentamento. A ação teve como objetivo fortalecer a produção agrícola das famílias por meio de capacitação técnica sobre manejo do solo, com foco na interpretação de análises laboratoriais, no planejamento produtivo e na adoção de práticas sustentáveis que contribuam para a conservação dos recursos naturais e o aumento da produtividade.

Durante a oficina, os participantes tiveram acesso a atividades práticas, como coleta de amostras de solo, orientações sobre os procedimentos corretos de coleta, leitura de laudos laboratoriais e recomendações sobre correção de acidez e adubação adequada às condições locais. As coletas foram realizadas de forma aleatória dentro dos lotes, nas profundidades de 0–20 cm e 20–40 cm. As amostras foram encaminhadas a um laboratório especializado por meio de parceria com a empresa Barry Callebaut.

As análises permitiram identificar níveis de nutrientes, acidez, teor de matéria orgânica e possíveis limitações do solo. De modo geral, os resultados indicaram a necessidade de ajustes na fertilidade, como correção de acidez e reposição de nutrientes, além de apontar potencial para diversificação de culturas com manejo adequado. Com essas informações, os meeiros podem selecionar culturas mais adaptadas, planejar adubações corretivas e melhorar o rendimento das lavouras, ampliando a segurança produtiva e a renda familiar.

O Subprograma de Reassentamento Rural busca assegurar condições adequadas para o manejo eficiente das áreas reassentadas, promovendo o uso racional do solo, o comprometimento com a gestão produtiva, o fortalecimento da atividade agrícola e a ampliação da capacidade de geração de renda das famílias. O diálogo com os meeiros tem sido contínuo e participativo, com escuta ativa das demandas e desenvolvimento de ações conjuntas para melhoria das condições de vida e produção. A iniciativa é executada com apoio técnico da Marrikah Consultoria e Gestão Social, contratada da BAMIN.

Os próximos passos do subprograma incluem novas capacitações técnicas, acompanhamento produtivo das áreas, incentivo à diversificação agrícola e fortalecimento de práticas sustentáveis na agricultura familiar. Para a diretora técnica da Marrikah Consultoria, Lorena Ramos, a iniciativa vai além do suporte produtivo imediato. “A execução de ações como a oficina de manejo do solo, é fundamental para garantir que os beneficiários deslocados economicamente não apenas recuperem, mas fortaleçam as suas condições de geração de rendimento e segurança produtiva”, afirma.

Ainda de acordo com a profissional, atividades como esta integram a metodologia do subprograma, em consonância com diretrizes internacionais, promovendo especialização técnica agrícola, uso sustentável da terra e ampliação do potencial produtivo. Trata-se de um compromisso que assegura que o processo de reassentamento resulte em oportunidades reais de desenvolvimento, autonomia e inclusão socioeconômica.

BAMIN leva orientação sobre alimentação saudável a mais de 3.500 pessoas ao longo do Projeto Pedra de Ferro

A BAMIN promoveu, entre os dias 27 de janeiro e 7 de fevereiro, uma série de ações de comunicação voltadas à conscientização sobre segurança alimentar e nutricional nas comunidades onde atua. As iniciativas ocorreram em municípios por onde passa o Projeto Integrado Pedra de Ferro e alcançaram mais de 3.500 pessoas, reforçando práticas relacionadas à saúde, à prevenção e à responsabilidade social da empresa junto às comunidades do entorno.

As atividades tiveram início no dia 27, no escritório do Porto Sul, em Ilhéus, com a realização de um Diálogo Diário de Segurança (DDS). A ação engajou colaboradores e terceiros. Durante o encontro, foram abordados temas como a importância do consumo de alimentos seguros, saudáveis e bem conservados, além dos cuidados necessários para evitar contaminações e riscos à saúde.

No mesmo dia, a BAMIN realizou uma ação educativa na feira livre de Uruçuca, com distribuição de materiais informativos e orientações diretas a feirantes e moradores. A iniciativa apresentou informações sobre higienização correta dos alimentos, armazenamento adequado, redução do desperdício e melhor aproveitamento dos alimentos. Somadas às ações porta a porta sobre o mesmo tema realizadas no município, a atividade engajou diretamente 78 pessoas e alcançou, de forma indireta, cerca de 372 moradores.

Já nos dias 6 e 7, as ações foram levadas às feiras livres de Caetité e Pindaí. Nessas localidades, 781 pessoas participaram diretamente das atividades, enquanto aproximadamente 3.124 moradores foram alcançados de maneira indireta. A abordagem mais aproximada do público foi considerada inovadora pelos participantes, que destacaram o caráter educativo e prático das orientações recebidas.

Além de promover hábitos alimentares mais seguros e saudáveis, as iniciativas reforçaram o papel da BAMIN e do Programa de Comunicação Social na promoção da qualidade de vida e no incentivo à agricultura familiar. O público demonstrou interesse pelo conteúdo apresentado e relatou que as dicas dos materiais distribuídos eram relevantes e aplicáveis ao dia a dia, comprometendo-se a colocá-las em prática a partir daquele momento.

 

 

Uma união de territórios, histórias e a cultura em movimento

Quando milhões de pessoas ocupam as ruas de Salvador ao som dos trios elétricos, o espetáculo parece absolutamente contemporâneo. Mas a história do Carnaval da capital baiana começa muito antes das guitarras elétricas e dos grandes circuitos. Suas raízes estão no século XVI, com a chegada dos primeiros portugueses. O BAMIN em Ação desta semana volta no tempo para contar como a maior festa de rua do Brasil nasceu a partir de uma tradição europeia, ganhou contornos locais e se transformou ao longo de mais de quatro séculos.

O começo com o Entrudo

Em 1549, quando Tomé de Sousa desembarcou em Salvador para instalar o governo-geral, trouxe consigo costumes da metrópole. Entre eles, o Entrudo, celebração popular que antecedia a Quaresma. A brincadeira era simples e intensa. Pessoas jogavam água, farinha, ovos e frutas umas nas outras, em uma espécie de batalha festiva que tomava as ruas.

A prática rapidamente se espalhou pela cidade, então capital do Brasil colonial. De acordo com o jornalista e pesquisador Nelson Cadena, em seu livro História do Carnaval da Bahia – 130 Anos do Carnaval de Salvador, há registros de festejos ainda nos séculos XVI e XVII, inclusive durante a invasão holandesa de 1624. Um relato da época descreve comemorações realizadas em quatro navios, mesmo em contexto de guerra.

O Carnaval, explica Cadena, foi institucionalizado pela Igreja Católica como período de extravasamento antes dos 40 dias de recolhimento da Quaresma. Os jesuítas trouxeram essa cultura e a incorporaram às estratégias de catequese, utilizando música e elementos lúdicos para dialogar com os povos indígenas. Desde o início, a festa se desenvolveu como um espaço de contato entre diferentes matrizes culturais.

O destaque da Rua Chile

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o Entrudo ganhou força nas ruas de Salvador, especialmente na Rua Chile, então um dos principais endereços da cidade. Havia dois tipos de brincadeira. O Entrudo de salão, mais refinado, utilizava pequenos “limões” de cera recheados com água perfumada. Já o Entrudo de rua era mais popular e incluía água, farinha, ovos e até restos de alimentos. Com o tempo, os excessos levaram à repressão. A Câmara Municipal publicou decreto proibindo a prática, alegando riscos à saúde pública e à ordem urbana. A proibição marcou uma virada no formato da festa.

A oficialização e o modelo europeu

Em 1884, o Carnaval de Salvador foi oficialmente instituído e passou a adotar um modelo inspirado nos desfiles europeus, em sintonia com o interesse das elites brasileiras por referências culturais da França e de outros países do continente. A influência se intensificou após a viagem de Dom Pedro II a Paris, em 1878, impulsionando a criação de clubes carnavalescos formados principalmente por comerciantes e profissionais liberais. Os cortejos ganharam organização formal, com arautos, guarda de honra e carros alegóricos que apresentavam temas históricos, enquanto músicas instrumentais animavam o público e os corsos, veículos ornamentados, passaram a desfilar pelas ruas da cidade.

A presença africana e os afoxés

Enquanto o modelo oficial seguia referências europeias, a presença africana redefinia o Carnaval de Salvador desde o fim do século XIX, com a entrada de blocos de origem africana e o desfile do primeiro afoxé, em 1895. Com cânticos em nagô, forte percussão e símbolos do candomblé, esses grupos enfrentaram resistência da elite e da imprensa, culminando em uma portaria de 1905 que proibiu sua presença nas áreas centrais. Ainda assim, os afoxés continuaram ativos em outros espaços e, ao longo do tempo, ritmos, danças e formas de organização da população negra passaram a integrar de forma definitiva o repertório musical e estético da festa.

O som ganha as ruas

Até meados do século XX, o som dos desfiles mal ultrapassava alguns metros. Cada carro executava sua própria música, que se perdia rapidamente, mesmo com a instalação de cornetas em postes para tentar ampliar o alcance. A mudança veio no início da década de 1950, quando Dodô e Osmar criaram o trio elétrico e instalaram a amplificação sobre um veículo, fazendo a música percorrer as ruas junto com o público. Ainda com estruturas simples e sob desconfiança de parte da elite, o novo formato alterou a dinâmica da festa e colocou o folião no centro da cena.

Esse modelo também ajudou a projetar um instrumento que se tornaria símbolo da sonoridade baiana: a guitarra baiana. Derivada do pau elétrico desenvolvido por Dodô e Osmar, ela foi popularizada por Armandinho Macêdo nos anos 1970 e passou a ser marca registrada do Carnaval de Salvador.

As vozes e o nascimento do axé

No fim da década de 1960 e início dos anos 1970, o Carnaval de Salvador passou por nova transformação quando artistas baianos começaram a compor músicas específicas para os trios elétricos, com destaque para Moraes Moreira – primeiro cantor de trio -, Caetano Veloso e outros nomes que colocaram as vozes no centro da festa. Já nos anos 1980, o fortalecimento da indústria fonográfica local e maior visibilidade na imprensa impulsionaram o Axé Music, movimento que combinou influências caribenhas, percussão afro-baiana e instrumentos de sopro.

Salvador também teve escolas de samba

 Antes do domínio dos trios elétricos, Salvador teve suas próprias escolas de samba, como Filhos do Tororó, Diplomatas de Amaralina e Juventude do Garcia, que desfilavam pelas ruas com enredos, alas luxuosas e porta-bandeiras, enquanto o público acompanhava de cadeiras nas calçadas. Até a década de 1950, cordões e batucadas ditavam o ritmo da folia, e a cidade vivia o samba como espetáculo de rua. Com o surgimento dos trios elétricos e a nova dinâmica da festa na década de 1970, muitas dessas escolas perderam espaço e precisaram se reinventar.

Blocos indígenas

 O surgimento dos blocos indígenas no Carnaval de Salvador remonta ao final da década de 1960, quando a influência dos filmes de faroeste norte-americanos inspirou a criação de entidades como o Apaxes do Tororó e o Commanche do Pelô. Originalmente, os blocos desfilavam com baterias de percussão formadas por ex-integrantes de escolas de samba e figurinos que celebravam referências indígenas, ocupando as ruas como espaço de expressão cultural própria. Com o tempo, muitos grupos enfrentaram desafios financeiros e transformações, incorporando trios elétricos e abadás, mas mantiveram viva a presença indígena no Carnaval. O Apaxes do Tororó, por exemplo, retornou à tradição da bateria no chão, reforçando a valorização de sua história e da cultura indígena na folia soteropolitana.

Entre tradição e reinvenção

Ao longo das décadas, a festa mudou de formato diversas vezes. Elementos como os enredos elaborados dos antigos clubes e a tradição das fantasias perderam espaço em alguns circuitos. Por outro lado, surgiram novas estruturas, como os camarotes, e discussões sobre acesso e abertura dos blocos ganharam força.

Do Entrudo português às guitarras elétricas, dos bailes mascarados aos trios que percorrem quilômetros de avenida, o Carnaval de Salvador revela uma trajetória marcada por influências europeias, contribuições africanas, indígenas e reinvenções constantes. Uma festa que começou como costume importado e se tornou um dos maiores espetáculos urbanos do planeta, com marca própria e alcance global.

Pesquisa de Demanda Turística orienta planejamento e fortalece turismo no Litoral Norte de Ilhéus

O Programa de Reorientação da Atividade Turística do Litoral Norte de Ilhéus da BAMIN tem avançado no mapeamento do perfil e do comportamento dos visitantes que chegam às comunidades da região. Por meio da Pesquisa de Demanda Turística, a iniciativa busca compreender necessidades, preferências e motivações dos turistas, além de avaliar o nível de satisfação com serviços e equipamentos turísticos, subsidiando estratégias mais eficazes de planejamento e adequação da oferta local.

Desde 2024, o programa já realizou diversas campanhas de campo e, até o período do Carnaval, deve alcançar a marca de 30 pesquisas aplicadas. Os estudos utilizam indicadores que permitem identificar o principal motivo e  a forma da viagem, as fontes de informação sobre o destino, o tipo de hospedagem escolhido, o tempo de permanência na cidade e o gasto médio diário. O levantamento também observa as impressões dos visitantes sobre as localidades, suas motivações para visitar a região, o grau de satisfação com a experiência e a intenção de retorno.

Os dados coletados contribuem diretamente para um planejamento mais qualificado da atividade turística nas comunidades da área de abrangência do Programa. A partir desse diagnóstico, é possível ajustar serviços, infraestrutura e experiências oferecidas, alinhando a oferta às expectativas do público e fortalecendo a competitividade do destino.

Atualmente, o estudo está em fase de desenvolvimento e passa por análises técnicas mais aprofundadas antes do compartilhamento estruturado com gestores públicos, empreendedores e demais atores do território. A proposta é que os resultados sirvam como base para decisões integradas e de longo prazo.

Como a BAMIN enxerga o turismo como um vetor estratégico de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar oportunidades econômicas e sociais, a iniciativa defende uma atuação que combine valorização cultural, preservação ambiental e dinamização econômica, fortalecendo a gestão local e o protagonismo das comunidades. Para o coordenador de Relacionamento com Comunidades da BAMIN, Ramon Chalhoub, o levantamento é uma ferramenta essencial para orientar o futuro do turismo local. “Ao conhecer melhor quem nos visita, o que busca e como avalia sua experiência, conseguimos apoiar as comunidades e os empreendedores na construção de um turismo mais organizado, sustentável e gerador de oportunidades para o território”, afirma.

As pesquisas também ajudam a evidenciar desafios ligados à infraestrutura, à qualificação dos serviços e ao alinhamento da oferta às expectativas dos visitantes. Para enfrentar esses gargalos, o Programa prevê apoiar ações que elevem a qualidade da experiência turística, com foco na sustentabilidade e na competitividade do Litoral Norte de Ilhéus no curto e médio prazo. Após o primeiro ciclo de campanha, as atividades terão continuidade, assegurando o alcance dos objetivos e o fortalecimento da gestão turística na região.

 

Estas ações são exigidas como condicionante do licenciamento ambiental do Projeto Integrado da BAMIN, conforme regulamentação ambiental vigente. Porto Sul, registro nº 02001.003031/2009-84 | Licença de Instalação n.º 1362/2020, gerenciado pelo IBAMA e registro nº 2020.001.004926/LIC-04926 – portaria Nº 22.102/2021 /ANO BASE 2023, registrado pelo INEMA. Ferrovia de Integração Oeste-Leste registro nº 02001.021803/2021-56, gerenciado pelo IBAMA. 

 

 

BAMIN reforça diálogo e valorização dos povos indígenas no território do Porto Sul

 

Em alusão ao Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro, a BAMIN destaca o conjunto de ações desenvolvidas para valorizar, respeitar e fortalecer os povos originários na região de influência do Porto Sul. Por meio dos Programas de Educação Ambiental com Comunidades, de Educação Ambiental com Trabalhadores e de Valorização da Cultura, a empresa tem investido em iniciativas que promovem inclusão, diálogo intercultural e reconhecimento dos saberes tradicionais.

Desde 2023, as ações dos programas vêm sendo realizadas junto à comunidade indígena Tupinambá de Olivença, localizada nas proximidades do Porto Sul. Ao todo, já foram cerca de 80 iniciativas entre mobilizações, atividades educativas e ações de promoção cultural, envolvendo mais de mil participantes.

Para o coordenador de Relacionamento com Comunidades da BAMIN, Ramon Chalhoub, fortalecer os povos indígenas é parte essencial de uma atuação responsável no território. “O diálogo permanente com as comunidades indígenas é fundamental para promover inclusão, respeito à diversidade e valorização dos saberes tradicionais. Quando escutamos e respeitamos cada grupo, construímos relações de confiança que contribuem para o desenvolvimento sustentável do território e para o protagonismo das comunidades”, afirma.

Somente em 2025, o Programa de Educação Ambiental com as Comunidades realizou 12 ações com aproximadamente 300 pessoas da comunidade, incluindo a construção e entrega de lixeiras rurais e kits de composteiras, implantação de hortas com plantas medicinais e dinâmicas de educação ambiental em escolas indígenas. As atividades aliam preservação ambiental, segurança alimentar e valorização do conhecimento tradicional sobre o uso de plantas.

No âmbito do Programa de Educação Ambiental com Trabalhadores, foi promovido um Diálogo Diário de Segurança (DSS) com a temática do Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, reunindo trabalhadores da BAMIN e de empresas terceirizadas. A atividade contou com a participação de Cláudio Magalhães, representante da comunidade Tupinambá de Olivença e primeiro vereador indígena eleito em Ilhéus, que ressaltou a contribuição histórica e social dos povos originários para a sociedade brasileira.

Já pelo Programa de Valorização da Cultura, foram entregues Armários Culturais Coletivos nas aldeias de Abaeté e Itapuã, com mais de 200 itens entre livros, jogos e materiais escolares, destinados às escolas indígenas Tupinambá Abaeté e Tupinambá Amotara. O programa também promoveu uma Oficina de Captação de Recursos para Iniciativas Indígenas durante o Seminário Indígena na Aldeia Igalha, incentivando a autonomia e fortalecimento institucional das comunidades.

As iniciativas envolvem apoio social, educacional, cultural e ambiental, sempre construídas em conjunto com as lideranças locais. A metodologia prioriza linguagem inclusiva, respeito aos tempos culturais e às formas de organização social de cada povo, garantindo que as ações estejam alinhadas às tradições e modos de vida das comunidades.

A escuta ativa é outro pilar central das ações. A partir do diálogo contínuo, a empresa busca compreender demandas, expectativas e prioridades das comunidades, ampliando a participação e a mobilização em torno dos projetos.

 

Estas ações são exigidas como condicionante do licenciamento ambiental do Projeto Integrado da BAMIN, conforme regulamentação ambiental vigente. Porto Sul, registro nº 02001.003031/2009-84 | Licença de Instalação n.º 1362/2020, gerenciado pelo IBAMA e registro nº 2020.001.004926/LIC-04926 – portaria Nº 22.102/2021 /ANO BASE 2023, registrado pelo INEMA. Ferrovia de Integração Oeste-Leste registro nº 02001.021803/2021-56, gerenciado pelo IBAMA. 

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