Salvador celebra, no próximo domingo, 29 de março, 477 anos de história, marcada pelo encontro de culturas que a torna única. Primeira cidade planejada do Brasil, fundada em 1549 por Tomé de Sousa para ser a capital da colônia, a cidade reúne, entre ladeiras, igrejas, terreiros e casarões, heranças indígenas, africanas e portuguesas profundamente presentes no cotidiano e na identidade local.
Em homenagem à data, o BAMIN em Ação propõe um roteiro histórico-cultural, convidando os leitores a conhecerem espaços emblemáticos que revelam a formação do Brasil de hoje. Bom passeio!
Igreja de Nossa Senhora da Graça – herança de Catarina Paraguaçu
A Igreja de Nossa Senhora da Graça está ligada aos primeiros registros de ocupação da região e antecede a própria fundação da cidade. A origem remonta a 1535, quando Catarina Paraguaçu, indígena tupinambá casada com o português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, teria mandado construir uma capela no local, após um sonho com a Virgem Maria. A construção atual, iniciada em 1645, segue a sobriedade da arquitetura beneditina, com estrutura organizada em torno de um claustro. O espaço abriga o túmulo de sua idealizadora e reúne elementos associados a episódios históricos, como o caso de Júlia Fetal, feminicídio conhecido como “crime da bala de ouro”, ocorrido em 1847. Fica na Av. Princesa Leopoldina, nº 133, bairro da Graça. Funciona de segunda a sexta-feira, das 07:00 às 11:00 e das 14:00 às 17:00; sábado, das 07:00 às 17:20; domingo, das 08:00 às 19:00.
Catedral Basílica do Santíssimo Salvador – “mãe” de todas as igrejas católicas no Brasil
Embora a Igreja de Nossa Senhora da Graça seja anterior à própria fundação da cidade, é a Catedral Basílica do Santíssimo Salvador, no Largo Terreiro de Jesus, Pelourinho, que é considerada a igreja primaz, “mãe” de todas as católicas do Brasil. Sua origem remonta à chamada “Sé de Palha”, estrutura erguida entre 1549 e 1552 logo após a chegada de Tomé de Sousa. A construção atual, iniciada em 1657, substituiu edificações anteriores e reflete a transição entre o maneirismo e o barroco, visível na fachada em pedra de lioz e nos altares em talha dourada. Após a expulsão dos jesuítas, em 1759, o edifício passou a sediar oficialmente o arcebispado primaz do Brasil. Ao lado, foi criada, em 1808, por Dom João VI, a primeira faculdade de Medicina do país, com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Aberta à visitação às segundas-feiras, terças e sábados, das 10h às 16h30, e aos domingos das 11h às 15h. Taxa de visitação: R$ 10.
Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia – palco da mais antiga festa religiosa do Brasil
No bairro do Comércio, está a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Construída entre 1739 e 1849, a igreja substituiu uma das primeiras capelas da cidade, erguida em taipa de pilão por ordem de Tomé de Sousa. Diferente da construção original, a basílica foi feita com pedra de lioz trazida de Portugal, já talhada. A fachada tem influência neoclássica, enquanto o interior reúne elementos do barroco joanino, com pinturas de José Joaquim da Rocha e teto com efeito ilusionista de inspiração italiana. O local também é palco da Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em 8 de dezembro, considerada a mais antiga celebração religiosa do Brasil, e ponto de partida da Lavagem do Bonfim, realizada em janeiro. A visitação é gratuita, de segunda a sexta, das 7h30 às 16h, e aos sábados e domingos, das 7h às 12h.
Igreja e Museu da Ordem Terceira de São Francisco – azulejos retratam Lisboa antes do terremoto de 1755
Na Rua da Ordem Terceira, no Pelourinho, o conjunto da Igreja e Museu da Ordem Terceira de São Francisco, respectivamente construídos em 1702 e 1933, é um dos mais expressivos do barroco. Sua fachada, um caso raro no Brasil, é em pedra esculpida, de inspiração plateresca, estilo que marca a transição entre o gótico final e o Renascimento. No interior, além das pinturas atribuídas a Franco Velasco – pintor do estilo rococó brasileiro -, há um amplo e raro conjunto de azulejos lusitanos distribuídos por galerias e claustros. Os painéis retratam cenas da capital portuguesa antes do Terremoto de Lisboa de 1755 e episódios da Corte Portuguesa. Aberto à visitação de segunda a sábado, das 9h às 16h30. Ingresso no valor de R$ 10,00.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – devoção construída por mãos africanas em Salvador
No Pelourinho, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está associada à atuação da Irmandade dos Homens Pretos, fundada em 1685 por africanos escravizados oriundos da República Democrática do Congo e de Angola. A construção, iniciada em 1704, foi realizada pelos próprios integrantes da irmandade. Desde os anos 1980, a imagem de Santa Bárbara integra o acervo da igreja, reforçando a celebração realizada em 4 de dezembro, uma das mais tradicionais da cidade.
Aberto a visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 08h às 16h45, e aos sábados, das 08h às 11h45.
Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho – o terreiro mais antigo em atividade no Brasil
O Ilê Axé Iyá Nassô Oká, conhecido como Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, é o mais antigo terreiro de candomblé em funcionamento no Brasil. Fundado no século XIX por africanas da tradição nagô, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro em 1984. O espaço reúne edificações, áreas de culto e vegetação ritual, preservando práticas que permanecem ativas. Visitação mediante agendamento pelo Instagram: @terreirocasabranca ou telefone 71 3334-5694.
Para conhecer outros locais ligados à cultura afro-baiana, acesse a matéria especial do BAMIN em Ação anteriormente publicada.
Crédito das fotos: Salvador Destination, Alex Ucha e Toluaye
Para quem deseja aprofundar o olhar sobre a cidade, Salvador oferece uma programação cultural diversa e acessível. A seguir, algumas dicas do que está em cartaz e de experiências que ajudam a conhecer ainda mais a história, a arte e as múltiplas identidades da capital baiana.
Casa das Histórias de Salvador
A Casa das Histórias de Salvador apresenta uma proposta interativa de interpretação do patrimônio. Localizada no Comércio, ao lado do Mercado Modelo, utiliza recursos digitais para oferecer experiências imersivas sobre a cidade.
Funciona de terça a domingo, das 9h às 17h, com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), além de entrada gratuita às quartas-feiras.
Endereço: Rua da Bélgica, 2.
Instagram @casadashistoriasdesalvador.
Mostra 477 – 477 anos da Cidade da Bahia
O Museu da Misericórdia recebe a exposição “Mostra 477 – 477 anos da Cidade da Bahia”, em cartaz até 18 de abril. A mostra reúne mais de 60 obras de artistas baianos, com diferentes linguagens. Entre os nomes presentes estão Carybé, Bel Borba, Goya Lopes e Juraci Dórea.
Visitação de terça a sexta, das 9h às 17h, e aos sábados, das 9h às 16h30.
Ingressos: R$ 30.
Endereço: Rua da Misericórdia, nº 6, Praça da Sé. Instagram @museudamisericordia.
Acervo da Laje
No Subúrbio Ferroviário, o Acervo da Laje reúne coleções que incluem fotografias, manuscritos, esculturas e objetos históricos, além de obras de artistas locais e de outras regiões da cidade. Instalado em duas casas, o espaço promove atividades formativas e ações culturais, ampliando o acesso à produção artística e incentivando pesquisas sobre o território.
Visitação gratuita de terça a sexta, das 9h às 12h.
Endereço: Rua Sá Oliveira, 2, São João do Cabrito. Instagram @acervodalaje.
Passeio na História
Para quem busca experiências guiadas, o projeto Café com Louti, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, oferece roteiros que percorrem diferentes períodos da história da cidade. Entre os destaques estão passagens por túneis subterrâneos do século XVIII, além de visitas a igrejas e antigas estruturas urbanas. Um dos percursos, o Passeio na História, funciona como uma aula de campo pelo Centro Histórico de Salvador, abordando desde as muralhas erguidas no período colonial até os princípios urbanísticos que orientaram a construção da primeira capital do Brasil. O roteiro é encerrado ao pôr do sol, com vista para a Baía de Todos os Santos.
Informações: WhatsApp 71 98147-2923.
Crédito das fotos: Acervo da Lage, Salvador da Bahia, Casa de Histórias, divulgação Mostra e Instagram Louti.
Valorizar o papel das mulheres na sociedade. Esse foi o foco de uma série de ações voltadas ao protagonismo feminino promovidas pela BAMIN, ao longo do mês de março, nas regiões onde estão inseridos os três empreendimentos do Projeto Integrado Pedra de Ferro. As iniciativas marcaram o Mês da Mulher com atividades educativas, rodas de conversa e mobilizações comunitárias, alcançando estudantes, moradores e colaboradores.
Na região do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL 1), uma das ações foi realizada no último dia 24, por meio do Programa de Educação Ambiental, com o projeto PEA nas Escolas. Na ocasião, alunos do 1º e 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual de Tempo Integral de Contendas do Sincorá participaram de atividades que abordaram a luta pelos direitos das mulheres, como o acesso ao voto, à educação, ao trabalho e a superação de barreiras históricas.
A programação foi estruturada de forma dinâmica, em três momentos. A roda de conversa trouxe reflexões sobre o conceito de protagonismo e sua relação com a presença feminina na sociedade contemporânea. Na dinâmica “Mulheres Inspiradoras”, os estudantes identificaram referências femininas em suas vidas e comunidades. Já o quiz “Mito ou Verdade”, em formato de gincana, promoveu a desconstrução de estereótipos e reforçou informações sobre direitos e papéis das mulheres.
Porto Sul
Por meio do Programa de Comunicação Social, a equipe do Porto Sul promoveu, ao longo do mês, a iniciativa “Porta a Porta”, que levou agentes sociais a diferentes localidades, realizando visitas domiciliares que abriram espaço para o diálogo, a escuta ativa e a troca de experiências entre mulheres. A ação buscou valorizar o papel feminino como agente de transformação social, incentivando reflexões sobre direitos, participação coletiva e construção de comunidades mais justas e inclusivas.
As atividades percorreram localidades como João Amazonas, São José, Sambaituba, Retiro, Itariri, Joia do Atlântico e Vila Juerana, ampliando o alcance da proposta e fortalecendo vínculos com os territórios. Durante os encontros, as participantes também receberam orientações sobre oportunidades e formas de engajamento social, reforçando o compromisso com a igualdade de gênero. A iniciativa consolida-se como um importante canal de aproximação com as comunidades, ao mesmo tempo em que estimula o protagonismo das mulheres na transformação de suas realidades.
Mina Pedra de Ferro
Na região da Mina Pedra de Ferro, as ações foram conduzidas pelo Programa de Comunicação Social, em parcerias com as Secretarias de Desenvolvimento Social de Caetité e de Assistência e Ação Social de Pindaí. A programação incluiu a participação na “Caminhada Pink”, realizada no dia 8 de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, além de rodas de conversa sobre protagonismo feminino em comunidades rurais, como João Barroca e Curral Velho, assim como nos distritos de Brejinho das Ametistas, em Caetité, e de Guirapá, em Pindaí, respectivamente nos dias 10, 11 e 16 de março.
Durante os encontros na região da mina, o foco esteve na sensibilização sobre a importância do protagonismo feminino na construção de uma sociedade mais justa, participativa e sustentável. Foram abordados temas como autonomia, desenvolvimento pessoal, educação, participação social e autocuidado, além do fortalecimento de ambientes respeitosos e colaborativos. As atividades também destacaram a relevância das redes de apoio, da escuta e da cooperação como elementos essenciais para o fortalecimento de vínculos e para a promoção de soluções coletivas que contribuam para o desenvolvimento social, reforçando a valorização das mulheres e o combate a qualquer forma de discriminação.
A coordenadora de Relacionamento com as Comunidades da BAMIN, Ana Paula Dias, destaca a importância das iniciativas ao longo do mês. “Ao levar o debate sobre protagonismo feminino para diferentes públicos e territórios, conseguimos ampliar a reflexão sobre igualdade de oportunidades e fortalecer o papel das mulheres como agentes de transformação social nas comunidades onde atuamos”, conclui.
Encerrando a programação, será realizado, no próximo dia 31, um Diálogo Semanal de Segurança no auditório da Mina Pedra de Ferro, voltado para os colaboradores da BAMIN. A atividade contará com a exibição de um vídeo do projeto ProvocAção, que tem a participação de quatro mulheres “de ferro” do Projeto Integrado. São elas a gerente técnica sênior de Recursos, Reservas Minerais e Planejamento de Mina, Ana Paula Moreira, a gerente de Relações Institucionais, Larissa Sousa, a Supervisora de Diálogo do Cieds, que atua no Porto Sul, Giselle da Hora, e a coordenadora de Gerenciamento Ambiental da Progen na FIOL1, Pérola Veiga.
Na comunidade de Rio das Antas, em Brejinho das Ametistas, distrito de Caetité, a história de muitas mulheres se confunde com a trajetória de uma associação que há uma década mobiliza, acolhe e fortalece a comunidade. À frente dessa caminhada está Osnita Assunção Costa Badaró, agricultora e sócia fundadora da Associação de Mulheres da Comunidade de Rio das Antas (AMCRA), grupo que reúne atualmente 20 associadas e atua como um importante espaço de organização e desenvolvimento local.
Criada há cerca de 10 anos, a associação nasceu com o objetivo de fortalecer a representatividade da comunidade e criar oportunidades para as mulheres da região. Ao longo dessa trajetória, a AMCRA realizou diversas ações sociais e educativas, como reforço escolar gratuito para crianças da comunidade, eventos comemorativos como Natal e Dia das Crianças, além de atividades culturais com participação do grupo de teatro da Casa Anísio Teixeira. A associação também promoveu leilões beneficentes para custear tratamentos de saúde, chás de bebê solidários e cursos de bordado e crochê, fortalecendo laços de solidariedade entre as moradoras.
Entre as conquistas mais marcantes da entidade está a construção da sede própria, resultado do esforço coletivo das associadas e do compromisso com o desenvolvimento da comunidade. Segundo Osnita, que mantem a associação ao lado de Dona Ana Lopes , esse trabalho exige enfrentar desafios e um dos principais é incentivar o engajamento constante das integrantes.
O apoio da BAMIN tem sido fundamental para o fortalecimento da AMCRA, contribuindo para o desenvolvimento institucional e produtivo da entidade. Por meio de assessoria técnica, o projeto auxiliou no processo de regularização da associação, apoiando na organização documental, emissão e atualização de certidões, alvarás e demais registros necessários para garantir a regularidade jurídica e fiscal da organização. Também foram realizadas reuniões periódicas com as associadas para estimular o associativismo e fortalecer a gestão administrativa, com orientações sobre organização interna e registro de informações.
Entre as iniciativas de incentivo à produção, destaca-se a implantação de uma horta orgânica na sede da associação, acompanhada de capacitação em técnicas de cultivo e manejo. O projeto ainda apoiou melhorias na infraestrutura do espaço, com instalação de forro, pintura e construção de cerca no entorno da sede, além do desenvolvimento da identidade visual da entidade, com produção de placa de identificação, camisas e banners institucionais, fortalecendo a visibilidade e o reconhecimento público da associação.
Para a agricultora, que ajudou a fundar a associação, o propósito sempre foi claro: garantir que a comunidade de Rio das Antas tivesse voz e representatividade diante do município e de outras instituições. Hoje, uma década depois, a história da AMCRA mostra que a união das mulheres é capaz de gerar transformações reais, fortalecer vínculos comunitários e abrir novos caminhos para o futuro da região.
Além disso, a trajetória da associação também representa um chamado à autonomia feminina. Ela defende que cada mulher busque, de forma incansável, a sua independência, rompendo com os paradigmas ainda impostos por uma sociedade machista e assumindo, com firmeza, decisões que valorizem sua própria história, seus sonhos e o bem coletivo.
Nascida e criada na zona rural de Jequié, Leidiana Ozorio dos Santos encontrou ainda jovem o caminho do empreendedorismo. Aos 19 anos, logo após concluir o Ensino Médio, iniciou a trajetória revendendo cosméticos e confecções. Com facilidade para comunicação e compreensão das necessidades dos clientes, destacou-se nas vendas e desenvolveu habilidades fundamentais para os passos seguintes. Em 2019, decidiu investir na agricultura familiar, apostando na produção de derivados da mandioca. Surgiu, então, a empresa Massas União, nome escolhido para refletir a rede de apoio formada por amigos e familiares que contribuíram para tirar o negócio do papel.
O empreendimento começou de forma simples, com a produção de farinha de mandioca, mas rapidamente ganhou novos contornos. Ao longo do tempo, a produção foi diversificada com itens como puba, massa de aipim, goma fresca e o tradicional bolo na palha de bananeira, que se tornou o carro-chefe das vendas. O crescimento da produção acompanhou a expansão do mercado: hoje, a Massas União fornece para diversos estabelecimentos comerciais de Jequié e já alcançou outros estados. Atualmente, a produção chega a cerca de 1.500 itens mensais.
Um dos pontos de virada na trajetória de Leidiana foi a participação na Rede de Integração Oeste-Leste de Economia Solidária e Circular (RIOLESC), iniciativa da BAMIN que fortalece pequenos negócios no interior da Bahia. A partir das capacitações, especialmente nas áreas de precificação e relacionamento com o cliente, surgiu uma visão mais estratégica do negócio. O aprimoramento da gestão financeira e o foco na fidelização contribuíram diretamente para o aumento das vendas e para a consolidação da empresa no mercado.
A dedicação à formação também se destaca como pilar da trajetória da empresária. Atualmente cursando o terceiro semestre de Administração pela Faculdade Anhanguera, Leidiana mantém o investimento contínuo em capacitação. Disciplina e persistência orientam a rotina e sustentam o crescimento do negócio, ampliando perspectivas.
Orgulhosa das origens, permaneceu na comunidade onde nasceu, gerando renda e oportunidades a partir do próprio território. O principal sonho é tornar-se uma administradora profissional e gerir com excelência tudo aquilo que lhe é confiado. Às mulheres que acompanham essa história, a mensagem é direta: “seguir em frente, mesmo diante das dificuldades e dos julgamentos. Acreditar em si mesma, romper com preconceitos e persistir são atitudes fundamentais para transformar planos em realidade”, ensina Leidiana.
A trajetória de Rúbia Reis Santos Nascimento é um retrato da força e da persistência de muitas mulheres que encontram no empreendedorismo uma forma de transformar suas vidas e gerar novas oportunidades em suas comunidades. Natural de Ilhéus, na Bahia, e moradora da comunidade de Vila Juerana, Rúbia construiu sua história profissional na cozinha, onde encontrou talento, criatividade e um caminho de independência.
O início dessa jornada foi simples, mas cheio de dedicação. Rúbia começou preparando bolos caseiros para o café, aqueles tradicionais bolos que reúnem família e vizinhos ao redor da mesa. Com o tempo, percebeu que poderia ampliar suas possibilidades e passou a produzir também bolos de aniversário, como os clássicos bolos quadrados decorados com frutas e recheio de goiabada. A vontade de aprender mais a levou a buscar novos conhecimentos e aperfeiçoar suas técnicas.
Determinada a evoluir no ofício, Rúbia participou de diferentes cursos de confeitaria. Experimentou novas técnicas de decoração, como a pasta americana, mas foi no trabalho com chantilly que encontrou o estilo que mais combinava com sua forma de produzir. A partir daí, continuou se especializando e ampliando seu cardápio. Hoje, além dos bolos simples e decorados, ela também produz pizzas, salgados e doces tradicionais, atendendo clientes da comunidade e da região.
Apesar do talento na cozinha, o caminho do empreendedorismo trouxe desafios. Antes de participar das iniciativas de capacitação, uma das maiores dificuldades de Rúbia era justamente divulgar seu trabalho e se comunicar com os clientes. Questões ligadas ao marketing e à abordagem comercial ainda eram obstáculos para o crescimento do negócio.
Foi nesse momento que ela conheceu o projeto Elas Podem Mais, iniciativa desenvolvida pela BAMIN em parceria com o Instituto Superior de Sustentabilidade (ISUS). Criado em outubro de 2021, o projeto tem como objetivo impulsionar o empreendedorismo feminino nas comunidades do entorno do Porto Sul, conectando mulheres às oportunidades de negócios que surgem com a implantação do empreendimento.
Por meio do convite feito pelo ISUS, Rúbia passou a participar das formações e oficinas oferecidas pelo programa, experiências que se tornaram fundamentais para o fortalecimento do seu empreendimento. “As formações e oficinas da BAMIN foram muito importantes para mim, porque através delas eu consegui aprender mais sobre como cuidar melhor do meu negócio. Aprendi sobre organização, planejamento e tive mais confiança para continuar empreendendo”, conta.
Após participar do projeto, Rúbia também passou a ser acompanhada pelo Programa de Apoio ao Empreendedor da BAMIN, por meio da Incubadora Social Porto Sul, recebendo suporte contínuo para desenvolver e estruturar seu negócio. As orientações e aprendizados trouxeram mudanças concretas para sua rotina empreendedora. Com mais organização e novas estratégias de divulgação, ela conseguiu atrair mais clientes e melhorar a renda do negócio.
Histórias como a de Rúbia reforçam o relevante papel das iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino nas comunidades. Ao oferecer capacitação, orientação e acompanhamento, os programas apoiados pela BAMIN contribuem para fortalecer pequenos negócios, estimular a autonomia financeira e ampliar oportunidades para mulheres da região.
Para quem deseja empreender, mas ainda enfrenta inseguranças ou dificuldades, Rúbia deixa uma mensagem de incentivo que reflete sua própria caminhada. “Eu diria para não desistirem dos seus sonhos. No começo pode dar medo e aparecer muitas dificuldades, mas é importante ter coragem e acreditar em si mesma.”
Assim como tantas outras mulheres do entorno do Porto Sul, Rúbia segue construindo sua trajetória com trabalho, dedicação e esperança, provando que, com apoio e determinação, é possível transformar talento em oportunidade e sonho em realidade.
Na zona rural de Caetité, no interior da Bahia, a força da organização comunitária tem no protagonismo feminino um de seus pilares. É nesse contexto que a lavradora e trabalhadora doméstica Cristian Teixeira Silva Paes assumiu, em 2026, a presidência da Associação de Mulheres de João Barroca, entidade, apoiada pela BAMIN, que reúne moradoras da região da Mina Pedra de Ferro. Integrante do grupo há sete anos, Cristian passou a liderar o trabalho coletivo desenvolvido por 14 associadas que, juntas, buscam ampliar oportunidades de renda e fortalecer os laços comunitários na localidade.
Criada para incentivar a autonomia e o protagonismo feminino, a Associação de Mulheres de João Barroca desenvolve atividades voltadas principalmente à produção de alimentos. Entre as iniciativas estão a fabricação de pães, bolos, biscoitos, salgados, doces e refeições para eventos e serviços de buffet. As ações também incluem atividades sociais, como a celebração do Dia das Crianças, reforçando o papel da entidade na vida da comunidade. “Essas atividades ajudam as mulheres a gerar renda e contribuem para o sustento de suas famílias, além de fortalecer a união entre as associadas”, destaca Cristian.
Desde que assumiu a presidência, a líder comunitária tem buscado ampliar a participação das mulheres e consolidar o trabalho coletivo da entidade. Entre as conquistas recentes, ela ressalta o fortalecimento da presença feminina nas decisões da associação e a busca por novas parcerias que contribuam para o crescimento das atividades. “Uma das conquistas importantes foi incentivar o trabalho coletivo e fortalecer a participação das mulheres na associação”, afirma.
Nesse processo, o apoio da BAMIN tem sido fundamental para a estruturação das atividades. Por meio do projeto Transformar, a empresa contribuiu para a construção de uma cozinha industrial e para a doação de utensílios essenciais ao funcionamento do espaço, além de oferecer suporte para a organização documental da associação. A iniciativa ampliou as condições de trabalho do grupo e abriu novas possibilidades de geração de renda. “A BAMIN tem sido uma grande parceria da nossa associação. Com essa estrutura, as mulheres conseguem trabalhar juntas para gerar renda e ajudar suas famílias”, explica Cristian.
À frente do grupo, Cristian também reconhece os desafios de manter a associação ativa e mobilizada, buscando constantemente novas oportunidades e projetos para as mulheres da comunidade. Ainda assim, ela acredita que a união é o caminho para transformar realidades. “Minha mensagem é que todas as mulheres continuem acreditando em sua força, em sua capacidade e na importância da união. Quando as mulheres se apoiam e trabalham juntas, conseguem conquistar muitas coisas e transformar a realidade de suas famílias e da comunidade”, ensina.
Empreender nem sempre começa com estrutura ou equipamentos adequados. Muitas vezes, nasce da necessidade, da criatividade e da coragem de dar o primeiro passo. Foi assim que a costureira Elânia Borges dos Santos, de Jequié, iniciou seu negócio na garagem de casa. Com o passar dos anos, dedicação, trabalho em família e acesso a capacitações, como as oferecidas pelo projeto de empreendedorismo RIOLESC, promovido pela BAMIN, ajudaram a transformar uma atividade simples em um empreendimento em crescimento.
No início, a estrutura era improvisada. Enquanto Elânia cuidava da costura, o esposo contribuía com a pintura das peças e a criação das artes. Como ele ainda trabalhava em outra empresa, a produção acontecia nos horários disponíveis, muitas vezes à noite e sem equipamentos adequados. “A gente pintava as camisas na cozinha mesmo, com o que tinha”, relembra a empreendedora.
Aos poucos, o negócio foi se estruturando. O casal passou a investir em equipamentos e adquiriu máquinas para personalização de camisas e canecas. O espaço também foi se transformando: primeiro na garagem da casa da mãe de Elânia, depois na própria residência do casal, onde parte da casa foi adaptada para atender clientes e instalar as máquinas.
Com o crescimento da demanda, vieram também novos investimentos. A compra de equipamentos mais modernos, como uma máquina de sublimação de maior capacidade, permitiu melhorar a qualidade dos produtos e ampliar a produção. Paralelamente, Elânia buscou cursos e capacitações para aperfeiçoar as técnicas e fortalecer a gestão do negócio.
Foi nesse processo que ela conheceu o projeto de empreendedorismo RIOLESC, promovido pela BAMIN na região da Ferrovia. O convite surgiu por meio da própria empresa, que já havia contratado alguns de seus serviços anteriormente. A participação no projeto marcou um novo momento para o empreendimento.
“Aprendi muito sobre precificação, gestão do tempo e valorização do meu trabalho. Antes eu tinha insegurança para colocar preço e muitas vezes vendia abaixo do valor justo”, conta Elânia. Com as orientações recebidas nas oficinas e formações, ela conseguiu reorganizar o negócio, entender melhor seus custos e identificar quais produtos realmente compensavam produzir.
O aprendizado trouxe mudanças importantes na forma de trabalhar. Hoje, o marido de Elânia deixou o antigo emprego para se dedicar integralmente ao empreendimento da família. O casal também passou a adotar parcerias com outros empresários do setor: em vez de produzir todo o uniforme, eles realizam principalmente a personalização e a pintura das peças, atendendo às demandas de outros fornecedores.
A estrutura da empresa também evoluiu. O espaço da casa foi reorganizado, separando a área de atendimento da loja, o setor de costura e o espaço destinado à pintura. Atualmente, o foco principal está na produção de uniformes, embora a empresa ainda trabalhe com brindes personalizados e itens para a pronta entrega.
Além do conhecimento adquirido, a participação no projeto também abriu portas para novas conexões. “Conheci muitas pessoas que se tornaram meus clientes. Isso ajudou a aumentar minha renda e entender melhor o meu próprio negócio”, afirma.
Assim como Elânia, outras mulheres da região vêm fortalecendo seus empreendimentos a partir das capacitações oferecidas pela BAMIN. Iniciativas como o projeto RIOLESC contribuem para ampliar conhecimentos, estimular o empreendedorismo local e gerar novas oportunidades de desenvolvimento para quem transforma talento e esforço em negócios que crescem junto com a comunidade.
Empreender nem sempre começa com estrutura ou equipamentos adequados. Muitas vezes, nasce da necessidade, da criatividade e da coragem de dar o primeiro passo. Foi assim que a costureira Elânia Borges dos Santos, de Jequié, iniciou seu negócio na garagem de casa. Com o passar dos anos, dedicação, trabalho em família e acesso a capacitações, como as oferecidas pelo projeto de empreendedorismo RIOLESC, promovido pela BAMIN, ajudaram a transformar uma atividade simples em um empreendimento em crescimento.
No início, a estrutura era improvisada. Enquanto Elânia cuidava da costura, o esposo contribuía com a pintura das peças e a criação das artes. Como ele ainda trabalhava em outra empresa, a produção acontecia nos horários disponíveis, muitas vezes à noite e sem equipamentos adequados. “A gente pintava as camisas na cozinha mesmo, com o que tinha”, relembra a empreendedora.
Aos poucos, o negócio foi se estruturando. O casal passou a investir em equipamentos e adquiriu máquinas para personalização de camisas e canecas. O espaço também foi se transformando: primeiro na garagem da casa da mãe de Elânia, depois na própria residência do casal, onde parte da casa foi adaptada para atender clientes e instalar as máquinas.
Com o crescimento da demanda, vieram também novos investimentos. A compra de equipamentos mais modernos, como uma máquina de sublimação de maior capacidade, permitiu melhorar a qualidade dos produtos e ampliar a produção. Paralelamente, Elânia buscou cursos e capacitações para aperfeiçoar as técnicas e fortalecer a gestão do negócio.
Foi nesse processo que ela conheceu o projeto de empreendedorismo RIOLESC, promovido pela BAMIN na região da Ferrovia. O convite surgiu por meio da própria empresa, que já havia contratado alguns de seus serviços anteriormente. A participação no projeto marcou um novo momento para o empreendimento.
“Aprendi muito sobre precificação, gestão do tempo e valorização do meu trabalho. Antes eu tinha insegurança para colocar preço e muitas vezes vendia abaixo do valor justo”, conta Elânia. Com as orientações recebidas nas oficinas e formações, ela conseguiu reorganizar o negócio, entender melhor seus custos e identificar quais produtos realmente compensavam produzir.
O aprendizado trouxe mudanças importantes na forma de trabalhar. Hoje, o marido de Elânia deixou o antigo emprego para se dedicar integralmente ao empreendimento da família. O casal também passou a adotar parcerias com outros empresários do setor: em vez de produzir todo o uniforme, eles realizam principalmente a personalização e a pintura das peças, atendendo às demandas de outros fornecedores.
A estrutura da empresa também evoluiu. O espaço da casa foi reorganizado, separando a área de atendimento da loja, o setor de costura e o espaço destinado à pintura. Atualmente, o foco principal está na produção de uniformes, embora a empresa ainda trabalhe com brindes personalizados e itens para a pronta entrega.
Além do conhecimento adquirido, a participação no projeto também abriu portas para novas conexões. “Conheci muitas pessoas que se tornaram meus clientes. Isso ajudou a aumentar minha renda e entender melhor o meu próprio negócio”, afirma.
Assim como Elânia, outras mulheres da região vêm fortalecendo seus empreendimentos a partir das capacitações oferecidas pela BAMIN. Iniciativas como o projeto RIOLESC contribuem para ampliar conhecimentos, estimular o empreendedorismo local e gerar novas oportunidades de desenvolvimento para quem transforma talento e esforço em negócios que crescem junto com a comunidade.
A história de Neiaria Días Novais é marcada por coragem, reinvenção e muita força de vontade. Supervisora e técnica em segurança do trabalho, ela vivia em São Paulo quando decidiu ir para Ilhéus para passar uma temporada por motivos de saúde. Ao chegar na região, encontrou uma realidade completamente diferente da que estava acostumada: sem emprego e enfrentando dificuldades financeiras, passou um período morando na casa de parentes enquanto buscava uma forma de recomeçar.
Foi nesse cenário desafiador que surgiu o empreendedorismo como caminho. Determinada a mudar sua realidade, Neiaria começou a aprender pela internet a fazer pães caseiros, que passou a vender na comunidade. Pouco tempo depois, teve uma nova ideia que mudaria o rumo do seu negócio: preparar feijoadas em marmitas para vender para vizinhos, trabalhadores e frequentadores de feiras. O que começou de forma simples logo ganhou força. Com o aumento da demanda, ela alugou um espaço que passou a funcionar como residência e restaurante, dando origem ao que hoje é conhecido como Restaurante Rancho da Néia, na comunidade de Juerana.
A proximidade com o empreendimento Porto Sul também abriu novas oportunidades. Ao conhecer colaboradores da BAMIN, Neiaria apresentou seu trabalho e passou a fornecer refeições para equipes que atuavam na região, ampliando a clientela e fortalecendo o crescimento do restaurante.
O desenvolvimento do negócio ganhou um novo impulso com a participação de Neiaria no projeto Elas Podem Mais, iniciativa da BAMIN realizada em parceria com o ISUS – Instituto Superior de Sustentabilidade. Criado em outubro de 2021, o projeto busca estimular o empreendedorismo feminino nas comunidades do entorno do Porto Sul, conectando mulheres às oportunidades geradas pela implantação do empreendimento.
A entrada no projeto aconteceu após um convite para participar de um curso de manipulação de alimentos realizado na própria comunidade de Juerana. Como já trabalhava com refeições, Neiaria decidiu participar e a experiência abriu portas para novas aprendizagens. Antes disso, um de seus maiores desafios era lidar com a gestão financeira do negócio, incluindo controle de caixa e organização das vendas.
Com as oficinas e formações oferecidas pela BAMIN, a empreendedora passou a ter acesso a ferramentas e conhecimentos que transformaram a gestão do restaurante. “O programa Elas Podem Mais foi um marco na minha trajetória. Lá encontrei pessoas que ajudaram a desenvolver sistemas, teorias e práticas que fortaleceram a saúde financeira e a gestão do restaurante”, conta.
O apoio não parou por aí. Neiaria também passou a ser acompanhada pelo Programa de Apoio ao Empreendedor, por meio da Incubadora Social Porto Sul, que oferece suporte contínuo aos empreendimentos locais. Como resultado, o restaurante passou por uma revitalização completa, ganhando nova estrutura e identidade. Hoje, o espaço é reconhecido como um dos melhores da comunidade de Juerana e recebe diariamente trabalhadores e parceiros da BAMIN, moradores e visitantes da região.
A trajetória de Neiaria reflete a força de tantas mulheres que transformam desafios em oportunidades e constroem caminhos de autonomia por meio do trabalho e do empreendedorismo. Para ela, a principal lição é acreditar nos próprios sonhos. “Crie projetos, trace metas, tenha foco nos seus objetivos e nunca desista dos seus sonhos”, aconselha.
Histórias como a de Neiaria mostram como iniciativas de formação, apoio e incentivo ao empreendedorismo feminino podem gerar impactos reais nas comunidades, fortalecendo negócios locais, promovendo independência financeira e ampliando oportunidades para mulheres da região.
Ao longo do mês de março, o BAMIN em Ação apresenta um especial dedicado a mulheres que transformam o mundo ao seu redor. São trajetórias de quem rompe barreiras, enxerga possibilidades onde outros veem limites e ocupa espaços com competência e coragem. Mulheres que constroem, lideram e inspiram, reafirmando que seu lugar é aquele que escolhem ocupar, com trabalho, talento e determinação. Traremos também, nas próximas semanas, mulheres que, com o apoio da BAMIN, transformam suas realidades e das pessoas ao redor.
Para abrir a série, apresentamos duas baianas que se destacam em suas áreas de atuação. Myriam Fraga, escritora, jornalista e gestora cultural, cuja trajetória contribui para o fortalecimento da cena literária e artística da Bahia; e Jaqueline Goes, pesquisadora com reconhecimento internacional, que coordenou o sequenciamento do genoma do coronavírus (SARS-CoV-2) na América Latina em 2020, apenas 48 horas após o primeiro caso registrado no Brasil.
Convidamos os leitores a conhecer essas histórias e descobrir como a presença feminina transforma ideias em resultados concretos e redefine padrões em diferentes áreas.
A biomédica e pesquisadora baiana Jaqueline Goes de Jesus ganhou reconhecimento internacional em 2020 ao coordenar a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2, vírus da COVID-19, apenas 48 horas após a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil. O feito colocou a ciência brasileira em destaque mundial e demonstrou a capacidade de resposta rápida dos pesquisadores do país diante de uma emergência sanitária sem precedentes. Por trás dessa conquista está a trajetória de uma cientista que começou a construir seu caminho muito antes da pandemia, enfrentando desafios e redefinindo expectativas sobre quem pode ocupar espaços de liderança na ciência.
Nascida em Salvador, em 1989, Jaqueline iniciou sua formação em Biomedicina na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Depois seguiu para o mestrado no Instituto Gonçalo Moniz – Fiocruz Bahia e concluiu o doutorado em Patologia Humana e Experimental pela Universidade Federal da Bahia. Hoje vive em São Paulo, onde atua como professora e pesquisadora no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Curiosamente, o sonho de ser cientista não esteve presente desde a infância. “Durante muito tempo eu não me enxergava ocupando esse lugar”, conta a pesquisadora, em entrevista ao BAMIN em Ação. “Em filmes, séries e livros, o perfil de cientista que aparecia quase sempre era masculino, branco e mais velho”, reflete.
Foi ainda na universidade que a pesquisa entrou definitivamente em sua vida, durante um projeto sobre HIV desenvolvido no Instituto Gonçalo Moniz. A experiência revelou a potência da investigação científica como ferramenta para melhorar a saúde pública e abriu caminho para uma carreira dedicada à vigilância genômica de vírus emergentes. Ao longo desse percurso, Jaqueline também enfrentou barreiras estruturais que ainda marcam o ambiente acadêmico. “Para mulheres negras na ciência, essas barreiras muitas vezes estão associadas ao racismo estrutural, à exclusão de determinados espaços e a uma sensação constante de não pertencimento”, relata.
Segundo a pesquisadora, o preconceito nem sempre aparece de forma explícita. “Na ciência, o racismo raramente se manifesta de forma direta. Muitas vezes ele é velado”, afirma. “Viver microagressões cotidianas ao longo de anos tem um impacto real. Em alguns momentos cheguei a questionar se eu realmente tinha o direito de pertencer àquele espaço”, revela. Com o tempo, ela transformou essa experiência em motivação para seguir adiante e contribuir para mudanças dentro das instituições científicas.
Hoje, além de continuar investigando vírus como dengue, zika e chikungunya em projetos de vigilância genômica internacional, Jaqueline também se tornou referência e inspiração para novas gerações de pesquisadoras. Para ela, a presença feminina na ciência tem um impacto que vai além dos laboratórios. “Representatividade importa. Ver alguém que se parece com você em posições de liderança pode ser um estímulo importante para seguir na carreira científica”, conclui.
Curiosidades sobre Jaqueline Goes
Participou do sequenciamento do vírus Zika – Antes da pandemia de COVID-19, Jaqueline integrou a equipe internacional que sequenciou o genoma do vírus da Zika durante a epidemia que afetou o Brasil e outros países das Américas.
Já percorreu o Nordeste fazendo ciência de campo – Ela participou do projeto ZIBRA (Zika in Brazil Real-Time Analysis), que utilizava um laboratório móvel para sequenciar o vírus em diferentes cidades, permitindo analisar rapidamente a circulação da doença.
Recebeu o Prêmio CAPES de Tese – Em 2020, foi vencedora do prêmio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior na área de Medicina II, com a pesquisa sobre vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes.
Virou personagem da Turma da Mônica – Em homenagem ao seu trabalho durante a pandemia, foi representada como a personagem Milena em uma ilustração do projeto Donas da Rua da Mauricio de Sousa Produções, que celebra mulheres que se destacam em diferentes áreas da sociedade.
*Fotos: Câmara dos Deputados/Raissa Mesquita; Divulgação Mattel/ Via BBC; Foto de destaque – Redes Sociais Jaqueline Góes
Homenageada da edição 2026 da Festa Literária Internacional do Pelourinho, a poeta e jornalista soteropolitana Myriam Fraga é celebrada dez anos após sua morte como uma das mulheres que moldaram a cena cultural contemporânea. A escolha é mais que justa. O evento nasceu de uma semente por ela plantada, após retornar da Festa Literária Internacional de Paraty com o sonho de ocupar o Centro Histórico com livros, autores e seus leitores. Não chegou a ver o projeto concretizado, mas deixou para Salvador esse presente. Se hoje a Flipelô existe, a Bahia deve muito a Myriam Fraga.
Nascida em 1937, Myriam rompeu com o próprio destino. Criada em uma geração que projetava às mulheres o papel exclusivo de esposa e mãe, construiu uma trajetória intelectual sólida sem deixar a cidade natal. Publicou 31 livros, sendo 16 de poesia, sete de prosa e oito infantojuvenis, quatro deles lançados após sua morte, consolidando-se como uma das maiores vozes da literatura brasileira.
Em obras como Femina (1996) e Rainha Vashti (2015), seu último livro publicado em vida, explorou o universo feminino com densidade, lirismo e coragem. “Dizia que nunca precisou fazer terapia, porque transformava tudo em poesia”, lembra a filha, Ângela Fraga, em entrevista ao BAMIN em Ação.
O amor pelas palavras começou cedo. Filha de um médico apaixonado por livros, cresceu entre estantes e batalhas de declamação de poemas com o pai, disputando quem decorava mais versos. Antes mesmo de saber ler, já dizia que queria aprender para não depender de ninguém e sonhava ver o próprio nome na capa de um livro.
A amizade da família com Jorge Amado e Zélia Gattai aproximou, ainda mais, a jovem escritora do ambiente literário baiano. Após ler uma crítica positiva sobre Marinhas, obra de estreia da autora publicada em 1964, Jorge Amado pediu os originais do livro de poesias e os enviou a alguns contatos, entre os quais Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
O mesmo amigo que confiaria à escritora seu acervo pessoal de fotos, cartas e originais para a criação da Fundação Casa de Jorge Amado, em 1986, por Myriam gerida até os últimos dias de vida.
“Minha mãe assumiu a Fundação com o mesmo rigor que se dedicava à própria escrita. Era extremamente organizada, dedicada ao trabalho e a tudo que se propunha a realizar. Repetia sempre a máxima de que ‘tudo que deve ser feito, há que ser bem feito’”, recorda Ângela Fraga, atualmente presidente da instituição.
Curiosidades sobre Myriam Fraga
Marinhas foi lançado pela Macunaíma, selo criado em 1957 por Calasans Neto, Fernando da Rocha Peres, Glauber Rocha e Paulo Gil Soares para publicar jovens autores baianos em um cenário editorial ainda escasso. De perfil artesanal, com tiragens limitadas e forte cuidado gráfico, a editora marcou época e inseriu Myriam em uma rede intelectual decisiva para sua consolidação literária.
Em 2025, foi homenageada na primeira Feira Literária de Autoras Baianas, realizada em Salvador e idealizada pela escritora Clarissa Mäcedo, para quem “a magnitude e a regularidade de seu trabalho, a qualidade estética constante e o alcance nacional de sua obra, além de sua contribuição à cultura da Bahia, não apenas como autora, mas como profissional que ocupou espaços pouco acessíveis às mulheres, tornam Myriam uma referência incontornável”.
Entre 1984 e 2004, Myriam assinou a coluna cultural Linha D’Água no jornal A Tarde, tornando-se uma das vozes mais respeitadas da crítica literária e cultural baiana.
Seu legado ultrapassou os livros: Myriam Fraga é hoje nome de uma praça no bairro do Itaigara, em Salvador.
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