Especial Salvador 477 anos: a cidade onde culturas se encontram e permanecem
Entre igrejas históricas, terreiros e espaços culturais, a capital baiana revela como as heranças indígena, africana e portuguesa seguem presentes no cotidiano e na identidade local
Salvador celebra, no próximo domingo, 29 de março, 477 anos de história, marcada pelo encontro de culturas que a torna única. Primeira cidade planejada do Brasil, fundada em 1549 por Tomé de Sousa para ser a capital da colônia, a cidade reúne, entre ladeiras, igrejas, terreiros e casarões, heranças indígenas, africanas e portuguesas profundamente presentes no cotidiano e na identidade local.
Em homenagem à data, o BAMIN em Ação propõe um roteiro histórico-cultural, convidando os leitores a conhecerem espaços emblemáticos que revelam a formação do Brasil de hoje. Bom passeio!
Igreja de Nossa Senhora da Graça – herança de Catarina Paraguaçu
A Igreja de Nossa Senhora da Graça está ligada aos primeiros registros de ocupação da região e antecede a própria fundação da cidade. A origem remonta a 1535, quando Catarina Paraguaçu, indígena tupinambá casada com o português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, teria mandado construir uma capela no local, após um sonho com a Virgem Maria. A construção atual, iniciada em 1645, segue a sobriedade da arquitetura beneditina, com estrutura organizada em torno de um claustro. O espaço abriga o túmulo de sua idealizadora e reúne elementos associados a episódios históricos, como o caso de Júlia Fetal, feminicídio conhecido como “crime da bala de ouro”, ocorrido em 1847. Fica na Av. Princesa Leopoldina, nº 133, bairro da Graça. Funciona de segunda a sexta-feira, das 07:00 às 11:00 e das 14:00 às 17:00; sábado, das 07:00 às 17:20; domingo, das 08:00 às 19:00.
Catedral Basílica do Santíssimo Salvador – “mãe” de todas as igrejas católicas no Brasil
Embora a Igreja de Nossa Senhora da Graça seja anterior à própria fundação da cidade, é a Catedral Basílica do Santíssimo Salvador, no Largo Terreiro de Jesus, Pelourinho, que é considerada a igreja primaz, “mãe” de todas as católicas do Brasil. Sua origem remonta à chamada “Sé de Palha”, estrutura erguida entre 1549 e 1552 logo após a chegada de Tomé de Sousa. A construção atual, iniciada em 1657, substituiu edificações anteriores e reflete a transição entre o maneirismo e o barroco, visível na fachada em pedra de lioz e nos altares em talha dourada. Após a expulsão dos jesuítas, em 1759, o edifício passou a sediar oficialmente o arcebispado primaz do Brasil. Ao lado, foi criada, em 1808, por Dom João VI, a primeira faculdade de Medicina do país, com a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil. Aberta à visitação às segundas-feiras, terças e sábados, das 10h às 16h30, e aos domingos das 11h às 15h. Taxa de visitação: R$ 10.
Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia – palco da mais antiga festa religiosa do Brasil
No bairro do Comércio, está a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Construída entre 1739 e 1849, a igreja substituiu uma das primeiras capelas da cidade, erguida em taipa de pilão por ordem de Tomé de Sousa. Diferente da construção original, a basílica foi feita com pedra de lioz trazida de Portugal, já talhada. A fachada tem influência neoclássica, enquanto o interior reúne elementos do barroco joanino, com pinturas de José Joaquim da Rocha e teto com efeito ilusionista de inspiração italiana. O local também é palco da Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em 8 de dezembro, considerada a mais antiga celebração religiosa do Brasil, e ponto de partida da Lavagem do Bonfim, realizada em janeiro. A visitação é gratuita, de segunda a sexta, das 7h30 às 16h, e aos sábados e domingos, das 7h às 12h.
Igreja e Museu da Ordem Terceira de São Francisco – azulejos retratam Lisboa antes do terremoto de 1755
Na Rua da Ordem Terceira, no Pelourinho, o conjunto da Igreja e Museu da Ordem Terceira de São Francisco, respectivamente construídos em 1702 e 1933, é um dos mais expressivos do barroco. Sua fachada, um caso raro no Brasil, é em pedra esculpida, de inspiração plateresca, estilo que marca a transição entre o gótico final e o Renascimento. No interior, além das pinturas atribuídas a Franco Velasco – pintor do estilo rococó brasileiro -, há um amplo e raro conjunto de azulejos lusitanos distribuídos por galerias e claustros. Os painéis retratam cenas da capital portuguesa antes do Terremoto de Lisboa de 1755 e episódios da Corte Portuguesa. Aberto à visitação de segunda a sábado, das 9h às 16h30. Ingresso no valor de R$ 10,00.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – devoção construída por mãos africanas em Salvador
No Pelourinho, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está associada à atuação da Irmandade dos Homens Pretos, fundada em 1685 por africanos escravizados oriundos da República Democrática do Congo e de Angola. A construção, iniciada em 1704, foi realizada pelos próprios integrantes da irmandade. Desde os anos 1980, a imagem de Santa Bárbara integra o acervo da igreja, reforçando a celebração realizada em 4 de dezembro, uma das mais tradicionais da cidade.
Aberto a visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 08h às 16h45, e aos sábados, das 08h às 11h45.
Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho – o terreiro mais antigo em atividade no Brasil
O Ilê Axé Iyá Nassô Oká, conhecido como Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, é o mais antigo terreiro de candomblé em funcionamento no Brasil. Fundado no século XIX por africanas da tradição nagô, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro em 1984. O espaço reúne edificações, áreas de culto e vegetação ritual, preservando práticas que permanecem ativas. Visitação mediante agendamento pelo Instagram: @terreirocasabranca ou telefone 71 3334-5694.
Para conhecer outros locais ligados à cultura afro-baiana, acesse a matéria especial do BAMIN em Ação anteriormente publicada.
Crédito das fotos: Salvador Destination, Alex Ucha e Toluaye
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