
Essa trajetória começa a se consolidar em 1810, com a criação da Vila Nova do Príncipe e Santana do Caetité, resultado de disputas por autonomia em relação a Rio de Contas. “A criação da vila não representou apenas um ato administrativo, mas um processo dinâmico de construção política, marcado por disputas, negociações e pela imposição de uma nova ordem social e urbana no sertão baiano”, observa o historiador e professor da UNEB, Zezito Rodrigues da Silva. Esse contexto ajuda a compreender a projeção que a cidade alcançaria ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, a história local remonta a um período anterior à colonização. O território já era habitado por povos originários, cuja presença permanece registrada em sítios arqueológicos da região. O próprio nome Caetité, de origem tupi, faz referência à “mata da pedra grande”, indicando a relação entre o ambiente natural e os primeiros habitantes.

Nesse contexto diverso, Caetité desenvolveu também uma característica singular no cenário cultural do interior baiano: a permanência da tradição oral. “Ainda hoje, moradores mais velhos preservam histórias adaptadas ao contexto local, com personagens e cenários da região”, conta o professor de Literatura na Uneb, Rogério Soares, autor do livro No Tempo dos Encantos. Segundo o pesquisador, mesmo sem formação escolar, muitos desses narradores dominam conhecimentos como o latim, o que evidencia um repertório incomum.
Espaços que revelam Caetité
Para quem deseja conhecer de perto essa riqueza, alguns espaços ajudam a traduzir a diversidade cultural do município.
O Museu do Alto Sertão da Bahia (MASB) é uma parada essencial. O acervo reúne mais de 20 mil peças arqueológicas, incluindo vestígios da presença indígena na região, resultado de pesquisas iniciadas a partir de 2009. O espaço se destaca por manter no próprio território materiais que, em outros contextos, seriam deslocados para grandes centros. Está localizado na Rua da Chácara, nº 245, no Bairro da Chácara. Funciona de segunda a sexta, das 8h às 12h e de 13h30 a 17h30.
Para uma experiência ligada à presença indígena, o Sítio Arqueológico Moita dos Porcos, vinculado ao MASB, na zona rural, reúne inscrições rupestres que indicam ocupação humana de mais de seis mil anos, além de iniciativas voltadas ao turismo comunitário.

Já a Casa de Anísio Teixeira funciona como espaço cultural e museu dedicado ao educador, que é um dos mais importantes da Educação no Brasil. O casarão, localizado na Praça da Catedral, no Centro da cidade, preserva aspectos da vida e da obra de Anísio Teixeira, além de manter viva a tradição educacional que marcou a cidade.
No Arquivo Público Municipal de Caetité, situada na Praça Dr. Deocleciano Teixeira, Centro, o visitante encontra documentos que remontam ao início do século XIX, entre registros administrativos, fotografias e coleções de jornais que ajudam a compreender a evolução da cidade e do sertão baiano, inclusive edições do jornal A Penna.

São caminhos para conhecer Caetité, que revelam a força de sua história e a vitalidade de sua cultura, em um sertão rico em narrativas e experiências.
Fotos: Arquivo Público Municipal de Caetité, Prefeitura de Caetité, Wikipedia e BAMIN.