
Entre essas histórias está a da artesã Margareth Vieira Pimentel, de 61 anos, moradora da região do Porto Sul. O que começou como uma forma de ocupar o tempo durante um período delicado da vida se transformou em profissão e fonte de renda. Utilizando garrafas de vidro de cerveja, vinho e frascos de esmalte vazios como matéria-prima, Margareth cria peças decorativas revestidas em biscuit, inspiradas em figuras culturais brasileiras, como as baianas e personagens populares, a exemplo de Lampião e Maria Bonita.

Para ela, o impacto da reciclagem vai além da geração de renda. “Cada peça produzida ajuda a criar consciência ambiental. Quem compra também participa desse cuidado com o meio ambiente”, destaca Margareth, que hoje se diz orgulhosa de fazer parte da “família BAMIN”.

A participação no Programa Transformar, apoiado pela BAMIN, trouxe novas possibilidades para o negócio. Segundo Eva, os cursos de capacitação ajudaram no aperfeiçoamento das peças e fortaleceram a comercialização dos produtos. “Passei a ter mais confiança no meu trabalho, aumentei a renda da minha família e comecei a ser reconhecida como referência no artesanato”, conta. Hoje, ela participa de feiras regionais e possui clientes em diferentes cidades.
Eva também destaca a importância de romper preconceitos históricos em torno do artesanato. “Muita gente ainda pensa que ser artesão é coisa do passado. Hoje eu digo com orgulho: minha profissão é artesã”, afirma. Para ela, reciclar é um ato de transformação e preservação. “É a partir dessa transformação que nasce a beleza de criar e a esperança de um futuro com um planeta mais limpo”.

A participação na Rede de Integração Oeste-Leste de Economia Solidária e Circular (RIOLESC) foi fundamental para fortalecer o negócio. Jailson destaca que as capacitações ajudaram principalmente na gestão e na precificação dos produtos, além de melhorar sua abordagem com os clientes. Mas o principal impacto, segundo ele, foi na autoestima. “Foi a primeira vez que participei de um curso voltado para minha área de atuação. Estar ao lado de outras pessoas buscando crescimento também me motivou muito”.
No Dia Mundial da Reciclagem, Jailson acredita que a data representa a valorização da arte e da transformação social. “É através da reciclagem que surgem muitas artes, e essas artes nos transformam e fazem da gente pessoas melhores”.
“As histórias de Margareth, Eva e Jailson mostram que reciclar vai além do reaproveitamento de materiais. É também uma ferramenta de inclusão social, geração de renda, valorização cultural e fortalecimento comunitário”, analisa a coordenadora de Relações com as Comunidades da BAMIN, Ana Paula Dias. Ela ainda acrescenta que nas regiões onde a BAMIN atua, iniciativas voltadas para sustentabilidade e empreendedorismo seguem ajudando a transformar resíduos em oportunidades e talentos em novos caminhos de vida.
