
A programação deu visibilidade ao percurso desenvolvido pelo projeto em um total de 14 horas de formação com estudantes de 11 a 15 anos. Durante as oficinas, a turma explorou os biomas brasileiros, com atenção especial às paisagens e características presentes na Bahia, refletindo sobre biodiversidade, conservação e a relação das comunidades com o território.
Ao longo do processo, os estudantes pesquisaram características dos biomas brasileiros, debateram questões ambientais e transformaram as reflexões em textos poéticos. A partir daí, a natureza ganhou versos e nasceram os cordéis apresentados no evento, revelando diferentes formas de olhar para o meio ambiente.
Em rimas construídas pelos próprios estudantes, surgiram referências à Caatinga, às nascentes, aos animais nativos e aos desafios relacionados à preservação dos recursos naturais. O conteúdo trabalhado nas oficinas encontrou na poesia popular uma linguagem acessível e próxima da realidade dos participantes em uma metodologia baseada na educação ambiental crítica e participativa.
Escola aberta à comunidade

Para o professor das oficinas do Biomas da Nossa Terra, Jean Sarmento, a experiência evidenciou o potencial da arte como instrumento de aprendizagem e reflexão. “Foi gratificante acompanhar momentos de aprendizado, troca de conhecimentos e valorização da nossa cultura por meio da literatura de cordel. Os estudantes abraçaram a proposta com entusiasmo e produziram trabalhos que demonstram sensibilidade e compreensão sobre a importância dos nossos biomas”, avalia.
O educador destaca que o envolvimento dos alunos foi perceptível desde os primeiros encontros. Segundo ele, a combinação entre conteúdo ambiental e manifestações culturais contribuiu para despertar interesse e participação ao longo de todo o processo.
Cultura popular como ferramenta educativa
A iniciativa da BAMIN demonstrou que temas relacionados à sustentabilidade podem ser abordados por caminhos diversos, capazes de despertar identificação e engajamento. Em vez de restringir o debate ambiental a conceitos técnicos, as oficinas estimularam os estudantes a interpretar o mundo ao seu redor e expressar suas percepções por meio da arte.
Ao escrever sobre os biomas, a fauna, a vegetação e as características do território, os participantes passaram a observar elementos muitas vezes presentes em seu cotidiano sob uma nova perspectiva, como pertencentes a essa realidade.
Ao final da celebração, o coordenador de Relacionamento com Comunidades da BAMIN, Ramon Chaloub, destacou o significado da experiência para as comunidades envolvidas. “Testemunhar a tradição, a natureza e a voz desses estudantes se entrelaçando de forma tão genuína nos dá a certeza de que estamos contribuindo para a formação de uma nova geração comprometida com a valorização do território e dos recursos naturais”..