Literatura de cordel dá voz a estudantes no encerramento do Biomas da Nossa Terra em Itagi

Culminância do projeto reuniu apresentações artísticas e produções autorais de 28 alunos da Escola Professora Ana Silva, região da FIOL 1, na segunda (01)

Os versos escritos por 28 estudantes do 6º ano da Escola Professora Ana Silva, em Itagi, região da RIOL 1, deram o tom da celebração que marcou, na última segunda-feira (01), o encerramento do projeto Biomas da Nossa Terra, realizado pela BAMIN em parceria com o CIEDS. Depois de quatro oficinas dedicadas à educação ambiental e à literatura de cordel em maio, os jovens apresentaram suas produções autorais diante de uma plateia formada por familiares, professores e representantes da comunidade.

A programação deu visibilidade ao percurso desenvolvido pelo projeto em um total de 14 horas de formação com estudantes de 11 a 15 anos. Durante as oficinas, a turma explorou os biomas brasileiros, com atenção especial às paisagens e características presentes na Bahia, refletindo sobre biodiversidade, conservação e a relação das comunidades com o território.

Ao longo do processo, os estudantes pesquisaram características dos biomas brasileiros, debateram questões ambientais e transformaram as reflexões em textos poéticos. A partir daí, a natureza ganhou versos e nasceram os cordéis apresentados no evento, revelando diferentes formas de olhar para o meio ambiente.

Em rimas construídas pelos próprios estudantes, surgiram referências à Caatinga, às nascentes, aos animais nativos e aos desafios relacionados à preservação dos recursos naturais. O conteúdo trabalhado nas oficinas encontrou na poesia popular uma linguagem acessível e próxima da realidade dos participantes em uma metodologia baseada na educação ambiental crítica e participativa.

Escola aberta à comunidade

O encerramento do ciclo teve clima de festa cultural. A cada apresentação, os estudantes demonstravam segurança ao compartilhar os textos produzidos durante as oficinas. Entre declamações, músicas e intervenções teatrais, o público acompanhou uma sequência de atividades construída pelos próprios participantes. A presença das famílias deu um significado especial ao evento. Pais, mães e responsáveis puderam acompanhar de perto o resultado de semanas de dedicação dos estudantes, fortalecendo o vínculo entre escola e comunidade.

Para o professor das oficinas do Biomas da Nossa Terra, Jean Sarmento, a experiência evidenciou o potencial da arte como instrumento de aprendizagem e reflexão. “Foi gratificante acompanhar momentos de aprendizado, troca de conhecimentos e valorização da nossa cultura por meio da literatura de cordel. Os estudantes abraçaram a proposta com entusiasmo e produziram trabalhos que demonstram sensibilidade e compreensão sobre a importância dos nossos biomas”, avalia.

O educador destaca que o envolvimento dos alunos foi perceptível desde os primeiros encontros. Segundo ele, a combinação entre conteúdo ambiental e manifestações culturais contribuiu para despertar interesse e participação ao longo de todo o processo.

Cultura popular como ferramenta educativa

A iniciativa da BAMIN demonstrou que temas relacionados à sustentabilidade podem ser abordados por caminhos diversos, capazes de despertar identificação e engajamento. Em vez de restringir o debate ambiental a conceitos técnicos, as oficinas estimularam os estudantes a interpretar o mundo ao seu redor e expressar suas percepções por meio da arte.

Ao escrever sobre os biomas, a fauna, a vegetação e as características do território, os participantes passaram a observar elementos muitas vezes presentes em seu cotidiano sob uma nova perspectiva, como pertencentes a essa realidade.

Ao final da celebração, o coordenador de Relacionamento com Comunidades da BAMIN, Ramon Chaloub, destacou o significado da experiência para as comunidades envolvidas. “Testemunhar a tradição, a natureza e a voz desses estudantes se entrelaçando de forma tão genuína nos dá a certeza de que estamos contribuindo para a formação de uma nova geração comprometida com a valorização do território e dos recursos naturais”..

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